Violência no Ba‑Vi deixa duas mortes e prende seis torcedores em Salvador
Clássico entre Vitória e Bahia termina em tragédia após agressões entre torcidas organizadas na 24ª rodada do Brasileirão.

Na tarde do último domingo, o clássico Ba‑Vi entre Vitória e Bahia terminou com duas mortes, quatro feridos e a prisão de seis suspeitos, tudo ocorrido nas imediações da Avenida 29 de Março, próximo ao Barradão, antes da partida da 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. O episódio reacendeu o debate sobre a violência nas torcidas organizadas e colocou em xeque a segurança nos estádios baianos. A gravidade dos fatos obriga autoridades e clubes a reverem protocolos que até então se mostraram insuficientes.
O confronto entre Bahia e Vitória, conhecido por sua rivalidade histórica, já registrou episódios violentos ao longo das décadas, sendo frequentemente citado como um dos clássicos mais inflamados do futebol nacional. Na temporada atual, a partida representava mais um ponto na disputa pela classificação à zona de classificação para a Copa Sul‑América, aumentando a pressão sobre os torcedores. Essa atmosfera de alta tensão costuma atrair grupos organizados como a Bamor, do Bahia, e a Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI), do Vitória, que mantêm rivalidade acirrada fora dos gramados.
José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, integrante da Bamor, foi brutalmente assassinado após ser espancado e esfaqueado por membros da TUI; imagens de testemunhas mostram seu corpo com uma motocicleta sobre ele, enquanto a multidão fugia para uma área de mata. O segundo falecido, Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, também membro da Bamor, foi morto a tiros no bairro Castelo Branco; embora a polícia não tenha estabelecido vínculo direto com a confusão na avenida, a Bamor lamentou ambas as perdas. Quatro torcedores foram hospitalizados com ferimentos leves a moderados, atendidos pela Polícia Militar que recebeu denúncias de agressão.
Durante a operação, policiais localizaram um grupo de cerca de 60 pessoas nas proximidades da avenida e, na abordagem, apreenderam seis homens portando facas, soqueiras, foguetes e artefatos explosivos artesanais, alguns com vestígios de sangue. Os detidos foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e autuados por homicídio qualificado, tentativa de homicídio contra as quatro vítimas, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto, crimes tipificados no Estatuto do Torcedor. Todo o material apreendido foi enviado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para perícia, enquanto a investigação prossegue para identificar outros envolvidos e esclarecer a motivação dos ataques.
O impacto imediato recai sobre a segurança pública em Salvador, que agora enfrenta pressão para intensificar o policiamento em jogos futuros e revisar as áreas de circulação de torcedores. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pode aplicar sanções disciplinares, que vão desde multas até a proibição de público em partidas subsequentes, afetando receitas e a imagem dos clubes. Além disso, a tragédia pode gerar retração de patrocinadores, que temem associação com episódios de violência, e aprofundar a divisão entre as torcidas, dificultando iniciativas de pacificação.
Do ponto de vista jurídico, a acusação de homicídio qualificado eleva a gravidade das penas, enquanto a posse de artefatos explosivos indica um nível de planejamento que pode ser enquadrado como crime organizado. A investigação ainda não confirmou se o ataque foi motivado exclusivamente pela rivalidade esportiva ou se houve outros fatores, como disputas territoriais entre facções de torcedores. O desfecho do processo será monitorado de perto por organizações de direitos humanos, que cobram respostas mais efetivas das autoridades para prevenir novos episódios.
Nos próximos dias, Vitória e Bahia devem cumprir a 25ª rodada do Brasileirão, mas a partida será marcada por restrições de segurança e possível presença de torcida única ou vazia, conforme decisão da CBF. Torcedores, clubes e autoridades aguardam o resultado das investigações e das possíveis sanções, que definirão o rumo da rivalidade nos próximos confrontos. O que se observará é se as medidas adotadas conseguirão conter a violência ou se o Ba‑Vi continuará sendo símbolo de conflitos latentes no futebol brasileiro.
Fonte: Gazeta Esportiva
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