777 aceita venda de 90% da nova SAF e abre caminho à reestruturação do Vasco
Acordo arbitral elimina impasse e permite que o clube avance no plano de recuperação judicial.

A 777 Carioca LLC assinou, em 2 de setembro de 2026, um acordo que declara não se opor à alienação de 90% da nova Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco da Gama, encerrando a disputa que travava o processo de reestruturação do clube.
O Vasco está em recuperação judicial desde 2024, com um plano que prevê a criação de uma nova SAF para concentrar os ativos esportivos e viabilizar a captação de recursos. A controvérsia surgira quando a 777, acionista controlador da atual Vasco SAF, impôs petição em 21/08/2026 contestando a venda de participação majoritária. O acordo foi formalizado na Câmara FGV de Mediação e Arbitragem, sob o Procedimento Arbitral nº 10/2024, e resultou na retirada da petição contestatória.
No documento apresentado conjuntamente pelo Club de Regatas Vasco da Gama, pela Vasco SAF e pela 777 Carioca LLC, constam cinco pontos de concordância: (i) aceitação dos termos do Plano de Recuperação Judicial; (ii) aprovação da transferência de ativos para a “Nova SAF”; (iii) criação de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI Equity) para a alienação judicial de 90% das ações; (iv) realização de processo competitivo para a venda da UPI; e (v) transferência das ações ao vencedor desse processo. A manifestação também indica que a 777 desistirá de todos os recursos e incidentes interpostos na recuperação judicial, reforçando o consenso entre as partes. Essa composição elimina o último obstáculo legal que impedia a continuidade da operação de venda.
No campo esportivo, o Vasco celebra a vitória por 2 a 0 sobre o Vitória na Copa do Brasil, com gol de Puma Rodríguez aos 51 minutos, avançando para as semifinais contra o Palmeiras. Contudo, a conquista não altera a situação financeira delicada que ainda coloca o clube na zona de rebaixamento do Brasileirão. A necessidade de recursos imediatos para reforçar o elenco e quitar dívidas permanece latente, o que torna a venda da UPI ainda mais estratégica.
Financeiramente, a alienação de 90% da Nova SAF pode gerar um aporte de centenas de milhões de reais, suficiente para quitar credores e equilibrar o balanço. O processo competitivo de venda da UPI Equity deve atrair investidores interessados em participar do futebol carioca, mas também traz risco de concentração de poder nas mãos de um único acionista. Para a diretoria, a rapidez na conclusão da venda será crucial para evitar novos atrasos na quitação de dívidas e garantir recursos para contratações antes da reta final do campeonato.
Do ponto de vista da torcida, a aprovação do acordo pode ser vista como um alívio, mas também levanta dúvidas sobre a perda de controle acionário e a identidade do clube. Caso a nova maioria decida reestruturar a gestão esportiva, o Vasco poderá adotar práticas mais profissionais, porém haverá pressão para que os investidores respeitem a tradição e a base de fãs. A expectativa é que o capital obtido seja direcionado à regularização de salários atrasados e à montagem de um elenco competitivo, fatores decisivos para fugir do Z‑4.
Nos próximos dias, a 777 Carioca LLC protocolará a desistência dos incidentes e recursos, permitindo que a Justiça siga apenas com a fase de venda da UPI Equity. O clube deverá anunciar o cronograma da licitação e, em seguida, definir o comprador que assumirá 90% da Nova SAF. Enquanto isso, o Vasco entra em campo contra o Palmeiras nas semifinais da Copa do Brasil, partida que servirá de termômetro para a capacidade do time de transformar a reestruturação financeira em resultados esportivos.
Fonte: ge.globo
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