STJD pune Vasco com suspensão de diretores após tumulto na Copa
Diretores e preparadores do Cruz‑Maltino recebem 15 dias de afastamento e o clube é multado em R$ 20 mil.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decretou a suspensão de quinze dias dos diretores Admar Lopes e Felipe Loureiro, além dos preparadores físicos Daniel Félix e Nelcírio Franchin, após a confusão ocorrida no intervalo da partida Vasco x Vitória, válida pela ida das quartas‑de‑final da Copa do Brasil. A medida inclui ainda a aplicação de multa de R$ 20 mil ao clube, penalidade prevista no artigo 213, inciso III, por arremessos de copos da torcida. O afastamento afeta a diretoria e a comissão técnica justamente quando o Cruz‑Maltino se prepara para a partida de volta.
O confronto, realizado em 31 de agosto de 2026, terminou com vitória do Vasco por 1 a 0, resultado que manteve a equipe viva na competição e colocou a partida de volta como decisiva para a classificação. O Cruz‑Maltino vinha de um início irregular no Campeonato Brasileiro, ocupando a zona de rebaixamento antes da Copa, o que elevou a importância da campanha na taça nacional. Na partida, o volante Cauan Barros foi expulso aos 38 minutos, gerando tensão que culminou no episódio do intervalo.
A denúncia do STJD, fundamentada na súmula oficial, apontou que membros da delegação vascaína confrontaram a arbitragem durante o descanso, lançando objetos ao gramado e provocando a necessidade de intervenção policial. Além dos quatro suspensos, a decisão citou a infração do artigo 258, parágrafo segundo, inciso II, que trata de agressão a árbitro ou a seus auxiliares. O clube recebeu ainda a penalidade pecuniária de R$ 20 mil, valor que, embora simbólico, reflete a gravidade da conduta e a política de tolerância zero adotada pelo órgão máximo do futebol brasileiro.
O advogado do Vasco, Pedro Henrique Moreira, argumentou que a denúncia contém "erro crasso" da arbitragem, destacando que o árbitro Matheus Delgado Candançan expulsou Cauan Barros sem que houvesse denúncia prévia e deixou de marcar um pênalti evidente em lance com Spinelli no primeiro tempo. Moreira também reclamou da expulsão de Barros, alegando que o jogador não cometeu falta que justificasse a exclusão e que a decisão do árbitro influenciou diretamente a explosão de ânimos no intervalo. Apesar das críticas, a defesa ainda não apresentou recurso formal contra as sanções impostas.
Historicamente, o Vasco tem enfrentado episódios disciplinares frequentes, incluindo a multa de R$ 100 mil aplicada em 2023 por depredação de torcedores no Maracanã e a suspensão de dirigentes em 2022 por incitação ao ódio. Essa recorrência tem gerado preocupação nas instâncias de governança do futebol, que veem o clube como um caso‑de‑teste para a eficácia das punições extrajudiciais. A atual decisão do STJD reforça a tendência de endurecimento das penalidades, sobretudo em confrontos de mata‑mata onde a pressão sobre atletas e comissões é maior.
Do ponto de vista tático e institucional, a ausência de Admar Lopes, responsável pela negociação de contratações, e de Felipe Loureiro, diretor de futebol, pode comprometer a preparação da equipe para a partida de volta contra o Vitória, marcada para 7 de setembro. Além disso, a multa afeta o já apertado orçamento vascaíno, que depende de receitas de bilheteria e patrocínios para equilibrar a folha salarial. No âmbito da torcida, a punição pode servir de alerta para a diretoria de segurança, que terá que intensificar o controle nos estádios para evitar novas infrações que possam resultar em penalizações ainda mais severas.
Com a próxima partida programada para 7 de setembro, a prioridade do Vasco será reorganizar a comissão técnica e garantir que a equipe entre em campo sem distrações externas. Observadores deverão ficar atentos ao posicionamento da diretoria em relação a um eventual recurso, bem como à resposta da arbitragem nos demais confrontos da Copa, já que a credibilidade do STJD está em jogo. O desenrolar desses desdobramentos poderá definir não apenas a continuidade do Cruz‑Maltino na competição, mas também o futuro das políticas disciplinares no futebol brasileiro.
Fonte: ge.globo
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