Ancelotti mantém mistério e testa trios antes de Brasil enfrentar Austrália
Treino completo em Brisbane revela combinações táticas, mas a escalação titular só será definida na quinta‑feira.

Carlo Ancelotti realizou, nesta quarta‑feira (23/09/2026), o primeiro treinamento da seleção brasileira com o elenco completo em Brisbane, mas ainda não divulgou a formação titular que enfrentará a Austrália na sexta‑feira, às 19h (horário de Brasília). O mistério deliberado tem impacto imediato na preparação, já que a definição dos titulares será feita apenas na atividade de quinta‑feira, antes da viagem para Townsville. A decisão de adiar a escalação reforça a estratégia de Ancelotti de avaliar a química dos grupos em campo reduzido antes de fixar o XI.
A convocação reúne 28 atletas que disputaram a Copa do Mundo de 2022, onde o Brasil foi eliminado nas quartas de final, e inclui recém‑chegados como Otávio (Porto), Arthur Dias (Flamengo) e Vanderson (Juventude), que chegaram a Brisbane ainda nesta semana. O amistoso contra a Austrália, marcado para 27/09/2026, serve como preparação para os próximos compromissos da Seleção nas eliminatórias da Copa de 2026 e para o duelo contra a Índia, programado para 03/10/2026 em Calcutá. O cenário de duas partidas em curto intervalo aumenta a necessidade de rotatividade e avaliação de alternativas táticas.
Durante o trabalho no Ballymore Stadium, Ancelotti dividiu o grupo em duas equipes, mas manteve alguns jogadores-chave fora de ação por questões de carga: Bruno Guimarães e Gabriel Magalhães foram poupados da maior parte do treinamento. Apesar da ausência dos dois, o técnico já demonstrou as combinações que podem compor as linhas laterais: à direita, Vanderson, Marquinhos e Estevão; à esquerda, Douglas Santos, Gabriel Magalhães (quando entrar) e Vini. No meio‑campo, Danilo Santos foi alinhado ao lado de Bruno Guimarães nas fases em que o volante esteve em campo, indicando a intenção de manter a dupla de criação que atuou na Copa.
No ataque, Ancelotti testou a parceria entre Raphinha (Barcelona) e Pedro (Flamengo), que permaneceram juntos por boa parte da sessão, sugerindo que a dupla pode ser a espinha dorsal ofensiva contra a Austrália. A presença de Vini na lateral esquerda reforça a busca por maior dinamismo nas subidas, enquanto a combinação de Marquinhos e Estevão à direita aponta para um bloqueio defensivo que pode se transformar em apoio ao ataque. As formações em campo reduzido permitiram ao treinador observar a adaptação dos recém‑integrados ao estilo de jogo italiano‑brasileiro que ele vem implantando.
Manter a escalação em segredo tem duas vertentes: tática e psicológica. Ao adiar a decisão, Ancelotti cria um ambiente de competição interna, forçando cada atleta a demonstrar valor nos treinos de quinta‑feira, o que pode elevar o nível de desempenho no amistoso. Além disso, a estratégia impede que a imprensa e os adversários estudem um XI definido, dificultando a preparação da Austrália, que já tem acesso a poucos detalhes sobre a formação brasileira.
A escolha da escalação contra a Austrália também será um termômetro para o próximo confronto contra a Índia, onde Ancelotti poderá experimentar variações de esquema sem comprometer a competitividade. A integração de Otávio, Arthur Dias e Vanderson ao ritmo de jogo dos titulares será crucial, já que a comissão técnica busca equilibrar a experiência de jogadores como Marquinhos e Vini com a energia dos recém‑chegados. O desempenho nas duas partidas será avaliado não só pelos resultados, mas pela capacidade de montar um grupo coeso que mantenha a identidade tática ao longo das eliminatórias.
Na quinta‑feira, a seleção realizará o último treinamento em Brisbane antes de embarcar para Townsville, onde o duelo contra a Austrália será disputado às 7h (horário local). Após o amistoso, o grupo retornará a Brisbane para a partida contra a Índia em Calcutá, marcada para 03/10/2026. Os olhos estarão voltados para a definição dos titulares, a atuação dos trios defensivos testados e a química entre Raphinha e Pedro, elementos que podem determinar o rumo da campanha de Ancelotti rumo à Copa de 2026.
Fonte: ge.globo
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