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ANRESF revela dívida de mais da metade dos clubes e avisa sanções

A segunda verificação da agência reguladora aponta que 22 dos 40 clubes das Séries A e B têm débitos pendentes, desencadeando um cronograma de punições que pode mudar o mercado …

Redação Voz do Gol2 min de leitura
ANRESF revela dívida de mais da metade dos clubes e avisa sanções

Na segunda verificação realizada no fim de julho, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) constatou que 22 dos 40 clubes das Séries A e B declararam dívidas com governos, jogadores, treinadores ou outros clubes, sinalizando que a maioria das equipes da elite está em situação financeira delicada.

Criada em 2026 para dar corpo ao fair play financeiro anunciado pela CBF, a ANRESF substitui o antigo modelo de auditoria esporádica e busca alinhar o futebol brasileiro a padrões internacionais, após anos de crises de caixa que levaram clubes como Flamengo e Santos a renegociar salários e empréstimos bancários.

A agência definiu três pontos de corte anuais: o primeiro, originalmente previsto para o fim de março, foi adiado duas vezes e encerrado em 11 de maio a pedido dos clubes; o segundo, referente ao período de julho, tem data limite em 30 de junho; e o último, para o fim do ano, encerra-se em 31 de outubro, com prazo de adequação até 30 de novembro. Até lá, dívidas anteriores a 2026 recebem apenas advertência pública.

Para os débitos assumidos a partir de 1º de janeiro de 2026, o regulamento prevê uma escala progressiva de sanções: advertência pública, multas financeiras, retenção de receitas, banimento de transferências, perda de pontos e, em último caso, rebaixamento ou cassação da licença. O São Paulo já recebeu notificação de possível transfer ban pela dívida relativa à compra do meio‑campista Djhordney, demonstrando que a agência está disposta a aplicar medidas restritivas imediatamente.

O técnico Caio Resende, ao comentar a implementação do sistema, alertou que a rigidez das regras pode forçar clubes a rever contratos de jogadores e a adiar contratações, impactando diretamente a montagem de elencos e a competitividade nos torneios. Já o presidente da ANRESF enfatizou que decisões rápidas são necessárias, mas teme um “mercado em ajuste” que poderia reduzir a circulação de recursos entre clubes.

A perspectiva de sanções mais severas coloca pressão sobre clubes de grande porte, que têm receitas mais robustas, mas também dívidas expressivas, enquanto equipes menores podem enfrentar dificuldades ainda maiores para cumprir prazos, arriscando perda de pontos que comprometeria a permanência na Série B. O cenário pode ainda acelerar a tendência de vendas de jogadores ao exterior, já que clubes buscarão liquidez para evitar penalizações.

Com o prazo final de 30 de novembro de 2026 se aproximando, a próxima rodada de auditorias será decisiva para definir quais equipes enfrentarão restrições. Torcedores e investidores deverão observar os comunicados da ANRESF, as respostas dos clubes às notificações e eventuais ajustes nas negociações de transferências nas janelas de julho e dezembro.

Fonte: ge.globo

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