Atlético-MG revisita Rony entre disputa judicial e clamor da torcida
O atacante volta à Arena MRV nas quartas da Sul-Americana enquanto o clube enfrenta um processo trabalhista de quase R$ 10 milhões.

Na quarta‑feira, às 19h, o Atlético‑MG recebe o Santos na Arena MRV pelas quartas‑de‑final da Sul‑Americana, e o atacante Rony será o protagonista inesperado ao enfrentar a equipe que o comprou no início do ano. O duelo tem implicações imediatas na classificação, mas também traz à tona uma disputa judicial que pode custar ao Galo quase R$ 10 milhões. O retorno de Rony ao seu antigo estádio, portanto, mistura pressão competitiva e tensão institucional.
Rony chegou ao Atlético‑MG em julho de 2025, com contrato de três anos e investimento de cerca de 6,5 milhões de euros (R$ 38,8 milhões) pagos ao Palmeiras. Em 65 partidas pelo Galo, marcou 14 gols, número considerado abaixo da média esperada para um atacante de alto custo. A performance tímida gerou vaias recorrentes, sobretudo quando o jogador recebia o pagamento de luvas e direitos de imagem com atraso, fato que acabou alimentando a discórdia com a torcida.
Em fevereiro de 2026, o Santos desembolsou 3 milhões de euros (aproximadamente R$ 18 milhões) para garantir os serviços de Rony, que até então acumulava 38 jogos, quatro gols e uma assistência pela camisa paulista. No jogo de ida da Sul‑Americana, o Peixe venceu o Galo por 2 a 0, e Rony sequer integrou o banco devido à suspensão automática por terceiro cartão amarelo. Essa ausência reforçou a percepção de que o atacante não era decisivo nem para o Santos nem para o Atlético.
A relação entre as partes deteriorou‑se ainda mais quando Rony ingressou com ação na Justiça do Trabalho, pedindo a rescisão unilateral do contrato e reclamando atrasos no pagamento de FGTS, luvas e direitos de imagem. O pedido totaliza R$ 9.534.076,40, enquanto o clube reconhece dívida de R$ 762.581,00 referentes a luvas e imagem, mas ainda não chegou a um acordo. O processo segue em trâmite, sem previsão de solução imediata, e a diretoria tentou negociações que não prosperaram.
Financeiramente, o litígio representa um golpe duplo: o Atlético‑MG ainda arca com a amortização do investimento inicial de 6,5 milhões de euros e, ao mesmo tempo, tem que provisionar quase R$ 10 milhões de passivos trabalhistas. Esse encargo pesa no orçamento da temporada, que já enfrenta despesas elevadas com contratações recentes e a necessidade de manter a competitividade na Sul‑Americana e no Brasileirão. Um eventual acordo pode aliviar o caixa, mas também sinaliza a necessidade de maior rigor nos pagamentos contratuais.
Do ponto de vista tático, a ausência de Rony nas opções ofensivas deixa o técnico do Galo – ainda sem definir a formação definitiva – com a obrigação de buscar alternativas entre os extremos e o centroavante titular. A torcida, que ainda vaiava o atacante nas poucas oportunidades que teve, pressiona por um desempenho que justifique a permanência de jogadores de maior perfil. O clima de desconfiança pode influenciar a moral do elenco, sobretudo nos momentos decisivos da partida de volta.
O duelo de volta exige ao Atlético‑MG uma vitória por ao menos dois gols para avançar, cenário que intensifica a atenção sobre a estratégia ofensiva e a disciplina defensiva. Enquanto o árbitro apita o segundo tempo, o futuro da disputa judicial ainda paira, e um acordo ou sentença pode ser anunciado nos próximos dias, impactando o planejamento de contratações de 2027. Torcedores e analistas deverão observar não só o placar, mas também como o clube gerencia a crise institucional que Rony simboliza.
Fonte: ge.globo
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