Avaí enfrenta crise salarial e risco de queda na Série B
Salários de julho e agosto permanecem atrasados enquanto clube lança campanha de R$ 500 mil.

O Avaí voltou ao Z-4 da Série B com 29 pontos, ocupando a 17ª posição, ao mesmo tempo em que acumula duas parcelas salariais atrasadas – referentes a julho e agosto – que ainda não foram quitadas. A falta de pagamento afeta tanto atletas quanto funcionários, criando um clima de insegurança dentro da Ressacada. O clube tem apenas oito jogos restantes para escapar da zona de queda, o que eleva a urgência da questão financeira.
A campanha de 2026 começou com a derrota por 3 a 1 diante do Novorizontino, após a vitória de virada contra o Sport que havia aliviado momentaneamente a pressão. Historicamente, a gestão de Júlio Heerdt (2019‑2021) já enfrentou protestos de jogadores por atrasos recorrentes, culminando em faltas a treinos e recusa de entrevistas. Desde que Bernardo Pessi assumiu a presidência, em abril, o clube reconheceu publicamente as pendências salariais, mas ainda não apresentou um plano de pagamento concreto.
Em resposta ao pedido do GE, o Avaí divulgou que “não vai se manifestar sobre o tema por questões regulatórias”, ao mesmo tempo em que garantiu transparência com atletas, comissão técnica e funcionários desde o início da gestão. Na solenidade de aniversário do clube, em 1° de setembro, Pessi agradeceu aos funcionários pela dedicação e prometeu que “fará da sua vida uma missão para que isso não aconteça novamente”. A declaração, embora emotiva, não detalha como o débito será quitado nem indica prazos definidos.
Para amenizar a crise, o clube lançou uma campanha de arrecadação de R$ 500 mil até o fim da Série B, utilizando a plataforma Ecossistema Avaí, um programa de benefícios que permite a torcedores e parceiros contribuir financeiramente. O objetivo declarado é cobrir parte das obrigações salariais e evitar novos atrasos que poderiam gerar sanções da CBF. A iniciativa será divulgada nas redes sociais do clube e no canal do GE no WhatsApp, buscando engajar a base de fãs em um momento crítico.
A instabilidade financeira pode refletir diretamente no desempenho em campo. Jogadores que não recebem há dois meses tendem a perder motivação, o que pode explicar a inconsistência recente, incluindo a derrota para o Novorizontino logo após a vitória contra o Sport. Além disso, a falta de recursos limita a capacidade de reforçar o elenco no mercado de transferências, deixando o Avaí vulnerável diante de concorrentes que já consolidaram suas finanças, como Ceará e Vila Nova.
Do ponto de vista regulatório, a CBF pode impor multas ou até suspender o registro de novos atletas caso o débito salarial não seja regularizado, conforme precedentes em outras equipes da Série B. Uma eventual penalização agravaria ainda mais a luta contra o rebaixamento, pois reduziria a margem de manobra tática do técnico Allan Aal. A pressão sobre a diretoria, portanto, não é apenas esportiva, mas também institucional, exigindo respostas rápidas e transparentes.
O próximo desafio do Avaí será contra o Fortaleza, no dia 9 de setembro, às 19h30, no Castelão, partida que pode definir se o clube consegue sair definitivamente do Z-4. Observadores recomendam atenção ao comportamento dos atletas nos treinos da Ressacada e à evolução da campanha de arrecadação, indicadores que sinalizarão se a crise salarial está sendo contida. Caso o Avaí consiga a vitória, ainda haverá margem para ajustar as contas antes dos confrontos contra Vila Nova e Criciúma nas semanas seguintes.
Fonte: ge.globo
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