Bia Haddad agenda cirurgia e mira volta ao topo em 2027
A tenista brasileira anuncia operação no ombro esquerdo e um MBA em Harvard durante a reabilitação.

A tenista paulista Bia Haddad confirmou que será operada no ombro esquerdo no início de outubro e só deve retornar ao circuito profissional em fevereiro de 2027. A notícia tem peso porque Haddad, atualmente 154ª no ranking mundial, é a principal referência do tênis feminino brasileiro desde a era de Gustavo Kuerten. Sua ausência prolongada deixa um vácuo competitivo e comercial para o esporte no país.
A decisão chega após uma temporada de 2026 marcada por resultados negativos: apenas quatro vitórias em 23 partidas, oito derrotas consecutivas e eliminação precoce na estreia de Wimbledon. Em agosto, a atleta trocou o técnico Rafael Paciaroni por Carlos Martinez, tentativa que não reverteu a queda de forma imediata. O desgaste físico e mental culminou na pausa anunciada logo depois do noivado com o neurocirurgião Alex Daoud.
A operação no ombro esquerdo, necessária para corrigir lesões recorrentes que afetavam o smash, exige, segundo os médicos, ao menos quatro meses de reabilitação. Enquanto se recupera, Haddad planeja iniciar um MBA em Harvard no final de 2026, aproveitando o período longe das quadras para “olhar para dentro” e ressignificar sua relação com o tênis. Ela também revelou que o casamento está previsto para meados de 2027, reforçando a reorganização de sua vida pessoal.
Do ponto de vista tático, a lesão compromete um dos principais armas de Haddad – o forehand potente e o smash de esquerda – exigindo ajustes no serviço e na construção de pontos. Como canhota, a recuperação completa do ombro será decisiva para retomar a agressividade que lhe rendeu quatro títulos de simples e oito de duplas ao longo da carreira. O trabalho de Carlos Martinez deverá focar na adaptação de padrões de jogo que minimizem o risco de recaídas.
Financeiramente, a pausa pode reduzir a visibilidade da atleta e impactar contratos de patrocínio, já que sua posição no ranking já caiu de um top‑10 para 154. Contudo, os US$ 9,55 milhões acumulados em prêmios e a nova qualificação acadêmica podem abrir portas para projetos fora das quadras, como atuação em gestão esportiva ou embaixadora de marcas. O retorno tardio também coloca em risco a classificação para os principais Grand Slams, que exigem ranking mais alto ou wildcards.
Com 30 anos, Haddad ainda tem margem para buscar novos picos, como o Grand Slam que almeja – um título de Roland Garros, onde chegou à semifinal em 2023. A longa recuperação, porém, significa perder quase duas temporadas completas, o que pode dificultar a escalada de volta ao top‑10. Ainda assim, a experiência acumulada (483 vitórias e 289 derrotas) e a mentalidade de “olhar para dentro” sugerem que ela pode reconstruir a carreira de forma mais sustentável.
O calendário de retorno ainda não está definido, mas a expectativa é que Haddad inicie a volta em torneios ITF ou WTA 125 em fevereiro de 2027, buscando ritmo antes de disputar os eventos de categoria superior. Acompanhar sua evolução física nas primeiras semanas será crucial para avaliar a viabilidade de uma campanha completa nos Grand Slams de 2027. Torcedores e analistas deverão observar como o novo preparo técnico e a formação em Harvard influenciarão sua postura competitiva.
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