Botafogo vende Matheus Martins ao Dínamo Moscou por 7 milhões de euros
A transferência chega em meio à crise financeira e à necessidade de reagir à derrota de 6 a 1 na Sul-Americana.

O Botafogo oficializou a negociação que leva o atacante Matheus Martins ao Dínamo Moscou, com proposta de 7 milhões de euros e contrato de quatro anos, marcando a primeira saída significativa desde a chegada do novo investidor Gabriel de Alba. A operação, confirmada pelo jornalista Ivan Karpov e corroborada pelo GE, pode ser concluída antes do duelo contra o Cienciano, nesta quinta-feira (20/08/2026). Trata‑se de um movimento que combina necessidade de caixa com a reestruturação da equipe em meio a uma campanha complicada.
Desde a contratação em 2024, proveniente da Udinese por 10 milhões de euros, Matheus acumulou 89 partidas, 10 gols e duas assistências, números que nunca foram decisivos para mudar a trajetória do Botafogo no Brasileirão e nas competições continentais. O clube, que sofreu 6 a 1 na ida das oitavas de final da Sul‑Americana contra o Cienciano, vive uma crise de resultados que pressiona a diretoria a rever o elenco. A chegada de Gabriel de Alba, que se encontrou com o prefeito do Rio de Janeiro para discutir investimentos, trouxe a promessa de tornar o Botafogo “o melhor das Américas”, mas também a exigência de cortar custos e equilibrar o balanço.
A proposta russa representa um revés financeiro, já que o valor de venda (7 mi €) é inferior ao gasto inicial (10 mi €), gerando um prejuízo de cerca de 3 milhões de euros. Contudo, o desembolso imediato de R$ 42,4 mi, na cotação atual, alivia a pressão sobre o caixa, permitindo ao clube honrar salários atrasados e destinar recursos à renovação de contratos estratégicos. A transferência ainda inclui cláusula de pagamento em quatro parcelas, o que pode ser usado para financiar a compra de reforços pontuais antes da fase decisiva da Sul‑Americana.
Do ponto de vista técnico, a saída de Matheus reduz a profundidade do ataque, que já conta com poucos opções de ponta. O técnico ainda não divulgou quem substituirá o atacante nas linhas ofensivas, mas a tendência é acelerar a promoção de jovens da base, como o atacante Vinícius, que tem se destacado nos treinos. A ausência de Matheus pode forçar o time a adotar um esquema mais coletivo, explorando as laterais e o meio‑campo para criar oportunidades, sobretudo contra um Cienciano que ainda demonstra vulnerabilidade defensiva.
Financeiramente, a operação sinaliza a estratégia de Gabriel de Alba de racionalizar a folha salarial, vendendo ativos que não se encaixam no plano de longo prazo. A diretoria tem buscado reduzir a massa salarial em cerca de 15 % para cumprir as exigências da SAF e abrir margem para investimentos em infraestrutura e categorias de base. A perda de um jogador com contrato até 2028 também diminui o risco de pagamentos futuros, permitindo maior flexibilidade nas próximas janelas de mercado.
A torcida reage com misto de alívio e frustração: alívio pela entrada de recursos em um momento de crise e frustração por ver um jogador que ainda não cumpriu as expectativas deixar o clube. Nas redes sociais, a maioria dos torcedores destacou a necessidade de reinvestir o dinheiro em jovens talentos e reforços que tragam mais competitividade. O discurso de Alba, “Queremos fazer do Botafogo o melhor das Américas”, ganha ainda mais peso se o clube conseguir transformar o caixa recém‑injetado em resultados concretos dentro e fora de campo.
Na quinta-feira, o Botafogo encara o Cienciano no segundo jogo das oitavas de final da Sul‑Americana, precisando reverter o deficit de seis gols para avançar. Matheus Martins pode ser titular ou entrar nos minutos finais, o que tornaria sua partida de despedida ainda mais simbólica. O que se observará é a capacidade do elenco em adaptar o sistema ofensivo sem ele e se o investimento recém‑recebido será suficiente para mudar o rumo da campanha.
Fonte: ge.globo
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