CBF reduz limite de estrangeiros para acelerar a passagem de jovens no Brasileirão
A medida, aprovada por unanimidade exceto Flamengo, Bahia e Londrina, visa reverter a queda de minutos dos sub‑23 até 2030.

Em reunião na segunda‑feira (21), a CBF aprovou a diminuição progressiva do limite de estrangeiros nas Séries A e B, de nove para cinco jogadores até 2030, medida que pode mudar a composição dos elencos e abrir espaço para a base.
A decisão surge após estudo da CBF Academy que mostrou a minutagem dos sub‑23 cair de 28,3% em 2021 para apenas 11,5% em 2026, enquanto estrangeiros acima de 23 anos passaram a ocupar 25% dos minutos, um salto de 3,2 vezes em relação a 2020.
Comparações com as cinco grandes ligas europeias revelam que o Brasil ainda tem a menor participação de jovens: França (38%), Inglaterra (32%), Espanha (31%), Alemanha (28%) e Itália (28%). Além disso, a média de idade dos jogadores subiu de 27,3 para 28,5 entre 2021 e 2026, e 2025 deve registrar o recorde de 162 estrangeiros em campo.
A nova regra inclui duas listas de inscrição – principal e sub‑23 – sem exigir formação no clube, com objetivo de alcançar 50% de jogadores sub‑23 entre os 50 atletas até 2030. Apenas Flamengo, Bahia e Londrina votaram contra a medida, mas a maioria dos clubes aceitou o ajuste como tentativa de equilibrar a balança de minutos.
Do ponto de vista tático, a redução pode forçar técnicos a buscar alternativas mais jovens para substituir estrangeiros que saírem, como ocorreu no São Paulo, onde Aurélio Buta e Cédric Soares foram priorizados em detrimento de promessas como Igor Felisberto e Angelo Candido, que acabou vendido ao Strasbourg por 5 mi € – valor que poderia ter sido maior com mais exposição.
Entretanto, a simples limitação não garante a entrada de garotos: clubes ainda podem contratar brasileiros experientes ou atletas de 30+ anos, como apontou o jornalista Victor Canedo, que registrou um triplo aumento de minutos de jogadores com 35+ (de 3,5% para 11,6%) e a presença de 254 jogadores a custo zero entre 2022‑2026, 58% deles com 30 anos ou mais.
A CBF avaliará a medida anualmente, mas o próximo desafio será observar se a diminuição de estrangeiros realmente se traduz em mais minutos para a base e, consequentemente, em receitas de transferências – que já respondem por 50,1% das receitas dos clubes brasileiros, acima da média europeia – antes que clubes endividados revertam a política.
Fonte: Trivela
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