Clubes paulistas se mobilizam contra proibição de bets em eventos
Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e Juventus buscam impedir restrição que ameaça bilhões em patrocínio.

Na tarde de 11 de setembro de 2026, dirigentes de marketing, comunicação e jurídico do Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e Juventus se encontraram na Federação Paulista de Futebol para articular uma resposta ao projeto de lei que pode proibir a publicidade de apostas nos estádios da capital, com votação prevista para a próxima semana na Câmara Municipal.
Desde a legalização das apostas esportivas no Brasil, em 2018, os clubes passaram a fechar contratos multimilionários com operadoras, transformando a publicidade de bets em uma das principais fontes de receita não‑tributária, especialmente para os gigantes do futebol paulista que já contabilizam cifras de três a quatro dígitos em milhões de reais ao ano.
O texto apresentado pelo vereador João Jorge (MDB) veda a veiculação de anúncios de casas de apostas em “eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, amadores ou profissionais, realizados no Município de São Paulo”, abrangendo placas, faixas e painéis em praças esportivas; as sanções variam de multa de R$ 50 mil ao veto de realização de eventos por até dois anos.
Para os clubes, o risco financeiro é imediato: os acordos de patrocínio de apostas do Corinthians, Palmeiras e São Paulo somam cerca de R$ 350 milhões anuais, enquanto o Flamengo, citado como referência, mantém contrato de quase R$ 270 milhões por ano, o maior do país, gerando temores de desequilíbrio competitivo entre estados se a medida for aplicada apenas em São Paulo.
O projeto já recebeu parecer favorável nas comissões da Câmara e deve ser aprovado em primeira discussão por maioria simples; após duas votações, ainda cabe sanção ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), embora vereadores já sinalizem intenção de endurecer a redação, inclusive quanto à possibilidade de atingir patrocínios nas camisas dos clubes.
Caso a lei seja aprovada, os clubes podem ser forçados a deslocar jogos e eventos para municípios vizinhos para preservar os contratos de aposta, ao mesmo tempo em que avaliam ações judiciais e campanhas de mobilização junto a patrocinadores e torcedores, estratégia que pode redefinir a estrutura de receita e impactar a competitividade no Campeonato Paulista e nas competições nacionais.
A próxima etapa será a votação na Câmara na semana que vem, seguida de audiências públicas para ajustes ao texto; enquanto isso, os representantes dos clubes prometem intensificar o diálogo com lideranças políticas e preparar campanhas educativas, deixando em aberto se a pressão coletiva será suficiente para barrar a restrição ou para moldar uma versão mais branda da proposta.
Fonte: ge.globo
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