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Clubes pressionam Governo contra MP que ameaça apostas e futuro do futebol

Manifesto de grandes equipes alerta que proibir cassinos online pode cortar mais de R$ 1 bilhão em patrocínios anuais.

Redação Voz do Gol2 min de leitura
Clubes pressionam Governo contra MP que ameaça apostas e futuro do futebol

Na manhã de 17/09/2026, o Governo Federal sinalizou a publicação iminente de uma Medida Provisória (MP) que proibiria os jogos de cassino online, desencadeando uma reação conjunta dos maiores clubes brasileiros que temem a paralisação de um fluxo de recursos que já supera R$ 1 bilhão por temporada.

Desde a aprovação da Lei 14.790/2023, o mercado de apostas foi regulado, permitindo que operadoras licenciadas recolhessem impostos e oferecessem proteção ao consumidor, enquanto financiavam clubes de todas as categorias; hoje, as apostas são uma das principais fontes de receita para equipes da Série A, além de sustentarem projetos de base, feminino e comunidades locais.

Em manifesto divulgado nas redes da Federação Paulista de Futebol, da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, e dos clubes Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, os dirigentes afirmam que “o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte” e que a perda desses recursos afetaria inclusive divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.

Segundo apuração do GE, o texto da MP já foi aprovado internamente e deve ser publicado até a próxima terça‑feira; ele revogaria o inciso II do artigo 3º da Lei 14.790, que inclui os jogos virtuais de cassino nas apostas de quota fixa, mantendo apenas as apostas esportivas regulamentadas.

Dentro do Executivo, há divergência: uma ala tenta convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a banir apenas jogos como o “Tigrinho”, alegando que as apostas alimentam vulnerabilidade social, enquanto outra defende a manutenção do regime regulado para evitar a migração de apostadores ao mercado clandestino.

A retirada das receitas de cassino pode reduzir drasticamente os patrocínios: clubes que hoje recebem contratos de mídia e patrocínio avaliados em dezenas de milhões de reais teriam de reavaliar orçamentos, o que pode levar à diminuição de investimentos em centros de treinamento, salários e projetos sociais, sobretudo em equipes do interior que dependem quase que exclusivamente desse fluxo.

Do ponto de vista competitivo, a escassez de recursos pode comprometer a capacidade dos clubes de manter elencos fortes para a Libertadores e a Sul‑Americana, além de frear a expansão do futebol feminino e das categorias de base, áreas que já lutam por financiamento estável.

Nos próximos dias, dirigentes se reunirão novamente nas federações de São Paulo e Rio de Janeiro para articular pressão junto ao Congresso e ao Palácio do Planalto; o desfecho da MP, bem como a resposta do presidente Lula, serão decisivos para definir se o mercado regulado sobreviverá ou se o futebol brasileiro enfrentará uma crise de financiamento sem precedentes.

Fonte: ge.globo

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