Corinthians aposta em vendas de atletas para fechar R$150 milhões até dezembro
Marcelo Paz mantém a esperança de concretizar negócios que ainda não saíram do papel nesta temporada.

O Corinthians ainda não concretizou nenhuma venda de atleta nesta temporada, embora o executivo de futebol Marcelo Paz tenha reiterado que a meta de R$150 milhões em receitas de transferências pode ser atingida até o fim do ano. A declaração foi feita na última quinta‑feira, em coletiva de imprensa, onde Paz apontou que "o ano ainda não acabou" e que negociações ainda podem se materializar. O cenário ganha urgência porque a diretoria projeta que a maior venda da história do clube acontecerá em 2026, caso os negócios se concretizem.
Financeiramente, o Timão atravessa um período de ajuste: o orçamento de 2026 reserva R$150 milhões provenientes exclusivamente de transferências, valor que representa quase 30% da receita total prevista pelo clube. Historicamente, a maior operação já registrada foi a venda de Danilo ao Real Madrid em 2016, que ultrapassou a marca dos R$ 100 milhões, servindo de referência para as ambições atuais. Essa dependência de receitas externas vem ao encontro de um fluxo de caixa apertado, agravado por investimentos em contratações e salários nos últimos dois anos.
O caso mais avançado foi a tentativa de transferência do volante André ao Milan, da Itália, por €17 milhões (cerca de R$ 103 milhões na cotação da época). A negociação chegou a ser encaminhada, mas o presidente Osmar Stabile decidiu não assinar o contrato, alegando questões estratégicas e de avaliação. Posteriormente, André recebeu proposta do Nottingham Forest, da Inglaterra, que também não avançou, deixando o jogador ainda no elenco e mantendo viva a possibilidade de uma venda futura por valor superior.
Além de André, outros nomes do elenco têm despertado interesse internacional. Yuri Alberto foi sondado ao longo da temporada por clubes europeus, enquanto Breno Bidon recebeu proposta do Besiktas, da Turquia, que acabou sendo encerrada pela diretoria. As convocações recentes de Breno Bidon, Matheuzinho e Hugo Souza para a Seleção Brasileira aumentam a visibilidade dos atletas e, segundo Paz, podem elevar o valor de mercado nas próximas negociações.
Do ponto de vista tático e financeiro, a diretoria enfrenta um dilema clássico: vender um jogador antes que seu preço atinja o pico ou manter o atleta para fortalecer o elenco e aguardar uma oferta maior. Paz destacou que "às vezes, você precisa vender um jogador mesmo sabendo que ele vale mais, pressionado pelo fluxo de caixa", indicando que a pressão financeira pode antecipar decisões que, de outra forma, seriam postergadas. A recusa em vender André, por exemplo, pode ser reavaliada se o clube precisar de liquidez imediata ou se o mercado oferecer um valor substancialmente superior.
A falta de vendas até o momento também tem repercussão na competitividade do Corinthians no Campeonato Brasileiro. Manter talentos como André e Breno Bidon garante profundidade ao elenco, mas reduz a margem de manobra para contratações de reforços. Caso a diretoria opte por vender, precisará equilibrar a reposição de recursos com a manutenção da qualidade técnica, sobretudo diante de rivais que já reforçaram suas equipes neste mesmo período de mercado.
Nos próximos meses, o calendário de transferências internacional abre novas janelas: a janela de inverno europeia encerra-se em janeiro de 2027, enquanto o mercado interno brasileiro tem prazo até o final de dezembro. Observadores deverão monitorar novas sondagens a André, possíveis retomadas das negociações com o Milan ou o interesse de clubes da Liga Inglesa, além de possíveis ofertas ao jovem atacante Yuri Alberto. O que se decidirá nos próximos dias pode definir se o Corinthians alcançará a meta de R$150 milhões ou terá que buscar alternativas de receita para equilibrar suas contas.
Fonte: Gazeta Esportiva
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