SAFs dominam Série C e remodelam futuro da pirâmide
Cinco sociedades anônimas lideram a primeira fase, enquanto apenas uma sobe da Série D.

A primeira fase da Série C encerrou-se com cinco clubes estruturados como Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ocupando as cinco primeiras posições, enquanto apenas o Uberlândia, também SAF, garantiu o acesso direto da Série D, evidenciando a crescente influência do modelo nas divisões inferiores.
O modelo SAF surgiu com a Lei nº 14.193, promulgada em 5 de agosto de 2021, e já conta com 143 clubes em todo o país, segundo o Observatório Social do Futebol (junho 2026). Na atual edição da Série C, nove dos vinte participantes são SAFs, representando quase metade da competição e refletindo a rápida adoção da estrutura societária nas camadas medianas do futebol brasileiro.
Entre os cinco classificados ao topo, Botafogo-PB liderou o grupo, seguido por Brusque FC, Ferroviária-SP e Maringá FC, todos já consolidados como SAFs. Em quinto, a recém‑aprovada Inter de Limeira entrou em cena com participação de Enrico Ambrogini, Roberto Carlos e Ronaldo Nazário, sinalizando a atração de grandes nomes ao investimento privado nas categorias de acesso.
Do outro lado da tabela, o AD Confiança foi o único SAF rebaixado, encerrando a campanha com 13 pontos e vendendo sua participação ao consórcio LG2, liderado por Rodolfo Landim, ex‑presidente do Flamengo. Ituano escapou do descenso, Amazonas permaneceu na zona intermediária e Figueirense, apesar da tradição, não conseguiu avançar, reforçando a heterogeneidade de resultados entre as SAFs.
A promoção de seis clubes da Série D – ASA, ABC, Gama, Uberlândia, Goiatuba e Nacional‑AM – trouxe apenas um novo SAF para a Série C. O caso do Gama, que já teve sua SAF extinta, ilustra a volatilidade do modelo quando a gestão privada não se sustenta, enquanto Uberlândia demonstra que a estrutura societária pode ser bem-sucedida mesmo em clubes menores.
Com dois SAFs garantidos em cada grupo da segunda fase, a probabilidade de que a Série B receba mais clubes sob o mesmo regime aumenta; já são nove SAFs na segunda divisão em 2026. Esse cenário eleva o capital privado ao centro das decisões esportivas, mas também expõe vulnerabilidades, como a venda repentina de SAFs e a aprovação acelerada de novas estruturas, que podem gerar instabilidade institucional.
O próximo confronto da segunda fase reunirá Botafogo-PB e Brusque FC, duas SAFs que comandam a classificação, e será decisivo para medir se a dominância observada na primeira fase se traduzirá em acesso à Série B. Torcedores, investidores e reguladores deverão observar a performance financeira, a gestão de contratos e a reação das bases fanáticas, indicadores que definirão se o modelo SAF continuará a expandir-se ou encontrará resistência nas próximas temporadas.
Fonte: ge.globo
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