Micale revisita ouro olímpico e projeta futuro do futebol brasileiro
Um aulão de memória e crítica: o técnico que comandou o Brasil em 2016 analisa Neymar, Luan e a trajetória do esporte no país.
Rogério Micale, que comandou a seleção sub‑23 na conquista do ouro olímpico em Rio 2016, celebra o aniversário de dez anos da façanha e afirma que a medalha está "Marcada na minha história", ressaltando o peso simbólico da vitória para sua carreira e para o país.
A campanha histórica terminou com 1 a 1 contra a Alemanha na final, decidida nos pênaltis (5‑4), marcando a primeira medalha de ouro do Brasil no futebol masculino. O torneio foi palco de revelações como Neymar, que liderou a equipe, e Luan, que brilhou no ataque do Grêmio antes de se tornar peça-chave da seleção olímpica.
Micale elogia Neymar como "Casca grossa", destacando a combinação de talento e liderança que o atacante trouxe ao grupo, ainda que o craque tenha perdido o pênalti decisivo na final. O técnico sublinha que a postura de Neymar foi decisiva para manter a equipe focada durante a pressão do torneio.
Sobre Luan, Micale reconhece um "declínio" que surpreende, apontando que o ex‑Grêmio, que ainda era uma referência de velocidade e força em 2016, tem apresentado rendimento irregular nas últimas temporadas, sobretudo após as mudanças de técnico e a falta de regularidade de jogos.
Depois do ouro, Micale assumiu o Atlético‑MG em 2016, mas deixou o clube ao final da temporada, citando a necessidade de adaptar sua filosofia de trabalho ao futebol de elite. Ele descreve a passagem como um laboratório para aplicar os princípios de disciplina e formação de jogadores que usou na seleção olímpica.
O técnico aproveita a entrevista para avaliar o momento do futebol brasileiro, afirmando que "Não somos a Espanha" – referência ao modelo de posse de bola e renovação de talentos que transformou a La Roja. Segundo Micale, o Brasil ainda depende excessivamente de contratações pontuais e carece de projetos estruturados de base.
Em termos de objetivos, Micale indica que pretende focar na formação de treinadores e na implantação de centros de alto rendimento, acreditando que a continuidade de projetos de longo prazo é a única forma de restaurar a competitividade internacional do país.
Para os próximos meses, Micale está em negociação com clubes da Série A que buscam reforçar suas equipes técnicas, além de manter diálogo com a CBF sobre possíveis cargos na estrutura de base. O que os torcedores devem observar são os primeiros passos de um plano que visa transformar a experiência olímpica em resultados consistentes no futebol doméstico.
Fonte: ge.globo
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