Palmeiras supera R$ 2,4 bi em vendas de atletas e reforça modelo de base
Na era Leila Pereira, 27 negociações diretas geraram 414,2 milhões de euros, 66% provenientes da academia.

Palmeiras chegou a R$ 2,4 bilhões em receitas de vendas de atletas nos últimos cinco anos, o que equivale a 414,2 milhões de euros, segundo dados oficiais divulgados em 28 de agosto de 2026. O montante foi obtido em 27 negociações diretas realizadas desde que Leila Pereira assumiu a presidência, sem contar percentuais de direitos futuros. Esse volume coloca o clube entre os maiores exportadores de talentos da América do Sul e sinaliza a eficácia de sua política de valorização da base.
Leila Pereira tomou a direção do Palmeiras em janeiro de 2022, herdando um clube ainda endividado e com a necessidade de equilibrar finanças sem comprometer a competitividade. Sua gestão priorizou a formação interna, o que se refletiu em 66% das transferências – 18 dos 27 negócios – envolvendo jogadores formados nas categorias de base. Essa estratégia contrastou com períodos anteriores, nos quais a maior parte das receitas vinha de vendas de atletas já consolidados no elenco principal.
Os cinco maiores negócios do período ilustram o sucesso da política de base: Endrick foi vendido ao Real Madrid por 72 milhões de euros, Estêvão ao Chelsea por 61,5 milhões, Allan ao Manchester City por 40 milhões, Vitor Reis ao mesmo clube por 37 milhões e Luis Guilherme ao West Ham por 30 milhões. Todas as cinco operações foram protagonizadas por crias, reforçando a capacidade de desenvolvimento do Palmeiras. Entre as demais vendas, destaca‑se Richard Ríos, que saiu ao Benfica por 30 milhões de euros depois de ser adquirido por R$ 6 milhões do Guarani em 2023, um ganho de cinco vezes o investimento inicial.
A lista de negociações ainda cresce com a iminente transferência de Riquelme Fillipi ao Inter Miami, nos Estados Unidos, avaliada entre 5,5 e 6 milhões de euros por 60% dos direitos econômicos. Paralelamente, a venda de Allan ao Manchester City, que somou cerca de R$ 240 milhões entre valores fixos e variáveis, permanece como a operação mais lucrativa em termos absolutos. O clube também registrou receita adicional ao manter 20% dos direitos de Jhon Jhon, que foi negociado ao Zenit em 2026 após sua passagem pelo Bragantino por sete milhões de euros.
Financeiramente, o fluxo de R$ 2,4 bilhões permite ao Palmeiras reduzir seu endividamento, investir em renovação de contrato de jogadores-chave e ampliar a infraestrutura da academia. Os recursos também dão margem para contratações pontuais que complementem a saída de talentos, evitando um vazio de qualidade no elenco. Além disso, a prática de reter percentuais de direitos futuros cria uma fonte de receita recorrente, como demonstra o caso de Jhon Jhon, que gera ganhos mesmo após a partida do atleta.
Do ponto de vista esportivo, a alta rotatividade de jovens promissores exige um planejamento de sucessão constante. O clube precisa transformar a saída de estrelas como Endrick e Allan em oportunidades para outros graduados, mantendo a competitividade no Brasileirão e na Libertadores. A ênfase na academia também eleva o valor de mercado dos jogadores, tornando o Palmeiras um fornecedor atrativo para clubes europeus e norte‑americanos, o que pode reforçar ainda mais sua reputação internacional.
Com a venda de Fillipi prestes a ser concluída, o próximo desafio do Palmeiras será converter esses recursos em reforços que mantenham o nível de desempenho exigido pelos torcedores. O Alviverde entra na reta final da temporada 2026 com a missão de disputar o título do Brasileirão e avançar na Libertadores, enquanto acompanha de perto a evolução de novos talentos nas categorias de base. O que se observará nos próximos meses é a capacidade da diretoria de equilibrar receitas de mercado com a manutenção de um plantel competitivo.
Fonte: ge.globo
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