Sadio Mané lança SM10 Agro e aposta na agroindústria de Bambali
Jogador do Al‑Nassr investe R$ 106,5 mi para transformar frutas locais em emprego e renda.

Sadio Mané, atacante do Al‑Nassr, anunciou nesta segunda-feira o lançamento do SM10 Agro, um complexo agroindustrial em Bambali, sua terra natal, com investimento próprio de 11,7 bi de francos CFA (R$ 106,5 mi). O projeto visa transformar a produção de frutas da região, sobretudo manga e goiaba, em produtos de maior valor agregado. A iniciativa ganha destaque porque promete criar mais de mil empregos diretos e reduzir perdas de colheita que chegam a 40%.
A iniciativa se insere na trajetória filantrópica de Mané, que já financiou uma mesquita, um colégio de 17 salas, um hospital que atende dezenas de vilarejos e, em novembro de 2023, abriu uma padaria em Bambali. Vencedor da Bola de Ouro africana e capitão da Seleção de Senegal, ele tem usado sua visibilidade internacional para impulsionar o desenvolvimento socio‑econômico de sua região. A economia de Casamansa depende fortemente da agricultura familiar, mas carece de infraestrutura de armazenamento e processamento, o que gera desperdício e limita a renda dos pequenos produtores.
O SM10 Agro será erguido em um terreno ainda não divulgado, com previsão de conclusão em 18 meses a partir da pedra fundamental, que será lançada neste sábado. O complexo deve contar com linhas de produção para limpeza, corte, congelamento e embalagem de frutas, além de um centro de treinamento agronômico para agricultores locais. Segundo Mané, a meta inicial é gerar 1.000 empregos diretos, podendo chegar a 2.500 quando o projeto operar em plena capacidade, incluindo vagas indiretas em transporte, abastecimento e serviços auxiliares.
Um dos pilares do projeto é a modernização das práticas agrícolas na região. O SM10 Agro pretende oferecer apoio técnico e cursos de agronomia para pequenos produtores, reduzindo as perdas pós‑colheita que atualmente variam entre 30% e 40% nas plantações de manga. Ao manter os frutos “na terra”, o complexo cria uma cadeia de valor que beneficia primeiro a população local, ao invés de exportar matéria‑prima sem processamento. Essa estratégia também abre portas para a exportação de produtos processados, potencializando receitas em moeda forte.
Do ponto de vista econômico, a iniciativa pode representar um divisor de águas para Bambali e municípios vizinhos. A geração de empregos formais reduz a vulnerabilidade social dos jovens e das mulheres, grupos historicamente marginalizados na zona rural. Além disso, a retenção de valor agregado na região pode estimular investimentos complementares, como logística de transporte refrigerado e comércio de alimentos processados, fortalecendo a competitividade do Senegal no mercado internacional de frutas.
Para Mané, o SM10 Agro marca a transição de um engajamento social pontual para um modelo de empreendedorismo de impacto. Ao alocar recursos próprios, ele demonstra confiança na viabilidade do negócio, o que pode inspirar outros atletas africanos a investir em setores produtivos. Contudo, o projeto enfrenta desafios típicos de empreendimentos rurais: necessidade de energia confiável, acesso a mercados externos e capacitação contínua dos agricultores. O acompanhamento de órgãos governamentais senegaleses e de parceiros privados será crucial para garantir sustentabilidade financeira e operacional.
Com a cerimônia de fundação marcada para sábado, os próximos 18 meses serão decisivos para transformar a visão de Mané em realidade concreta. Observadores deverão acompanhar o ritmo das obras, a efetiva contratação de trabalhadores locais e a implementação dos programas de treinamento agronômico. O desempenho do SM10 Agro servirá de termômetro para futuras iniciativas de atletas que buscam alavancar o desenvolvimento econômico de suas comunidades.
Fonte: Trivela
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