Vasco recebe aval judicial para DIP de R$150 mi e prossegue venda de 90% da SAF
Administração, Watchdog e Gatekeeper endossam financiamento e a transferência de controle, mas credores ainda contestam.

A administração judicial, o Watchdog e o Gatekeeper do Vasco emitiram, nesta sexta‑feira (4/9), parecer favorável ao novo DIP de até R$150 milhões e ao prosseguimento da venda de 90% da SAF, sinalizando um passo decisivo para a reestruturação financeira do clube.
O clube está em recuperação judicial desde 2023, após acumular dívidas que superaram R$600 milhões, e adotou o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em 2024 para atrair investidores. O primeiro DIP, de R$100 milhões, já foi utilizado para quitar salários atrasados, mas a caixa ainda apresenta déficits mensais que comprometem a competitividade no Brasileirão.
Os três auxiliares – administração judicial, Watchdog e Gatekeeper – concluíram que a proposta da Almirante Participações, liderada por Marcos Lamacchia, é a mais adequada. O crédito poderá ser liberado em parcelas condicionadas às necessidades reais de caixa, com acompanhamento rigoroso para evitar uso indevido da totalidade dos R$150 milhões.
Quanto à alienação, a venda de 90% da SAF segue o acordo firmado com a 777 Partners, ex‑dona, que agora não se opõe ao processo. Contudo, oito credores acionaram a justiça pedindo suspensão, alegando que a operação poderia violar cláusulas do plano de pagamento das dívidas, enquanto sete ex‑jogadores e um ex‑preparador físico argumentam irregularidades contratuais.
Se mantido, o financiamento deve reforçar a liquidez imediata, permitindo ao Vasco honrar compromissos salariais, pagar fornecedores e manter a folha de pagamento sem cortes drásticos. O aporte também abre margem para investimentos pontuais em contratações, essencial para a luta contra o risco de rebaixamento na 26ª rodada do Brasileirão.
Entretanto, a dependência de aprovação do Ministério Público e da Justiça traz incerteza. Uma eventual revogação do parecer pode reativar a crise de caixa, forçar a venda de ativos adicionais ou até inviabilizar a negociação da SAF, gerando turbulência no mercado de transferências e aumentando a pressão sobre a diretoria de Alexandre Campello.
Nos próximos dias, os documentos serão analisados pelo Ministério Público e encaminhados ao juiz da 4ª Vara Empresarial. Enquanto isso, o Vasco encara o clássico contra o Fluminense no Maracanã, partida que servirá de termômetro para a reação da torcida diante das decisões judiciais que podem definir o futuro financeiro do clube.
Fonte: ge.globo
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