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Vasco recorre decisão e tenta destravar empréstimo de R$150 milhões

A SAF do clube busca urgência judicial para liberar financiamento que pode salvar a caixa até o fim de outubro.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
Vasco recorre decisão e tenta destravar empréstimo de R$150 milhões

A Vasco SAF protocolou nesta quarta‑feira (20/08/2026) um agravo de instrumento contra a decisão que condiciona a análise de novos endividamentos ao relatório preliminar da auditoria da ICTS Global, buscando liberar imediatamente o empréstimo DIP de R$150 milhões que a Justiça havia travado. O recurso ganha destaque porque o clube afirma precisar de R$83 milhões até 31 de agosto para honrar compromissos operacionais, e até R$150 milhões até 31 de outubro para manter a estrutura competitiva. Sem o desembolso, a SAF corre risco de inadimplência e de perder margem de manobra no mercado de transferências.

A situação financeira do Vasco não é novidade: desde a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em 2021, o clube recorre a financiamentos DIP para equilibrar a dívida herdada, já tendo fechado dois acordos semelhantes em 2022 e 2023. Atualmente, a equipe disputa a Série B de 2026, com o objetivo de voltar à elite, mas a falta de recursos tem limitado contratações e pressionado o pagamento de salários. Os demonstrativos internos projetam um déficit de caixa que, se não for suprido, pode desencadear sanções da CBF e do Tribunal de Contas da União.

No documento apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a SAF argumenta que a auditoria solicitada pela empresa 777 – responsável pelos honorários da ICTS Global – não pode ser usada como pré‑requisito para a liberação de recursos que têm finalidade distinta. O agravo pede que a exigência de aguardar o relatório preliminar seja suspensa, alegando que a própria 777 arcará integralmente com os custos da auditoria, mas que a demora no pagamento está travando o acesso ao crédito. O texto ainda destaca que, em 19 de agosto, restavam apenas 12 dias para cumprir as obrigações previstas para o fim do mês.

A decisão judicial que impôs o bloqueio estabeleceu que qualquer novo endividamento superior a R$5,9 milhões deve aguardar a conclusão da auditoria, medida que a Justiça considerou necessária para garantir a transparência dos recursos. A Vasco SAF rebate que já prestou contas dos dois financiamentos DIP anteriores, apresentando relatórios de uso e comprovação de aplicação dos recursos, o que, segundo a diretoria, deveria ser suficiente para validar a nova operação. O clube ainda sustenta que a auditoria e o financiamento são processos independentes e que a vinculação cria um gargalo que prejudica a gestão financeira da SAF.

Do ponto de vista tático‑financeiro, a liberação dos R$150 milhões pode significar a diferença entre manter o elenco principal e ter que vender jogadores-chave para reduzir a folha. Além disso, o aporte seria crucial para quitar fornecedores, tributos estaduais e federais, evitando multas que poderiam comprometer ainda mais a classificação na Série B. No mercado, a capacidade de honrar compromissos reforça a credibilidade do Vasco perante bancos e investidores, reduzindo o custo de capital em futuras renegociações.

Legalmente, o agravo coloca a Justiça em posição delicada: conceder a suspensão pode ser interpretado como flexibilização de medida cautelar, enquanto manter o bloqueio pode acarretar prejuízos irreparáveis ao clube e à sua base de torcedores. Outros clubes que já utilizaram o modelo DIP – como Grêmio e Atlético‑MG – enfrentaram situações semelhantes, mas conseguiram avançar ao alinhar auditorias paralelas com a liberação de recursos. O desfecho do caso pode servir de precedente para a jurisprudência sobre financiamento de SAFs em todo o país.

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro deve ser proferida nos próximos dias, e o Vasco já sinaliza que, caso o agravo seja aceito, solicitará imediatamente a liberação do crédito junto ao banco credor. Enquanto isso, a equipe se prepara para o confronto contra o Olimpia, válido pela Copa Sul‑Americana, onde a necessidade de reforços e pagamento de salários será posta à prova. Torcedores e analistas acompanharão de perto tanto o veredito judicial quanto a performance em campo, pois ambos determinarão se o clube consegue evitar uma crise de caixa e retomar a trajetória rumo à Série A.

Fonte: ge.globo

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