Wendell Gabriel enfrenta ataques racistas nas redes do Levadia
O atacante brasileiro de 22 anos foi alvo de ofensas raciais e homofóbicas após partida do Meistriliiga.

Wendell Gabriel, atacante de 22 anos do Levadia, foi alvo de comentários racistas e homofóbicos publicados na página oficial do clube no Instagram após a partida do Campeonato Estoniano de 2026, em 2 de setembro. O incidente expõe a vulnerabilidade de jogadores estrangeiros a abusos digitais mesmo em ligas menos visíveis. A repercussão imediata evidencia que o preconceito ainda permeia o futebol global, independentemente do nível de exposição da competição.
Natural de Canitar, interior de São Paulo, Wendell nasceu em fevereiro de 2004 e iniciou sua formação nas categorias de base do Marília antes de ser contratado pelo Palmeiras, onde completou a transição para o profissional. Em 2023, abandonou o Brasil para buscar oportunidades na Ucrânia, passando por Dnipro-1, Polissya, Zvyahel e Veres Rivne. Em julho de 2025, firmou contrato com o Levadia, clube tradicional da Meistriliiga, e recebeu a camisa 10.
Na atual temporada, Wendell acumula 13 gols em 20 partidas, posicionando-se entre os principais artilheiros do campeonato e impulsionando o Levadia na briga pelo título. Considerando a campanha anterior, ele já soma 18 gols em 32 jogos pelo clube, demonstrando consistência ofensiva rara para um jovem recém-chegado. Seu desempenho tem atraído olhares de clubes da Escandinávia e da Europa Central, que monitoram o talento brasileiro.
Os abusos publicados incluíram referências a macacos e bananas, além de uma mensagem que utilizou termos homofóbicos para questionar a presença de Wendell entre os goleadores. O atacante respondeu ao portal ge, afirmando que "não podemos abaixar a cabeça" e que a hostilidade será transformada em motivação para voltar mais forte. A declaração ressalta a resistência de jogadores negros frente a ataques que buscam desestabilizar seu desempenho.
Do ponto de vista tático, a exposição pública pode afetar a concentração de Wendell nos treinos e jogos, sobretudo se a pressão psicológica não for mitigada. O Levadia, ao não divulgar uma resposta institucional até o momento, corre risco de ser penalizado por órgãos reguladores, como a UEFA, que tem normas rígidas contra discurso de ódio. Além disso, patrocinadores podem reconsiderar apoio caso a imagem do clube seja associada a ambientes hostis.
O caso se insere num padrão de incidentes raciais que têm surgido em ligas europeias menores, onde a fiscalização costuma ser menos rigorosa que nas grandes competições. A UEFA tem intensificado campanhas anti‑racismo, mas a eficácia depende da aplicação local, como a legislação estoniana que prevê sanções para crimes de ódio. A visibilidade do episódio, impulsionada pela cobertura da imprensa brasileira, pode pressionar autoridades estonianas a adotar medidas mais contundentes.
Para Wendell, o episódio pode influenciar sua avaliação de mercado: enquanto o talento continua a ser reconhecido, clubes potenciais podem ponderar o risco de exposição a ambientes hostis. Por outro lado, a postura firme do atleta pode elevar seu perfil como símbolo de resistência, atraindo interesse de equipes que valorizam a responsabilidade social. O apoio de organizações de direitos humanos pode ainda gerar campanhas de solidariedade que reforcem sua imagem.
O Levadia tem próximo confronto contra o Nõmme Kalju no próximo fim de semana, partida que será crucial para a luta pelo título. Observadores deverão monitorar se o clube adotará medidas disciplinares contra os autores das mensagens e como Wendell reagirá em campo. O desenrolar do caso servirá de termômetro para a eficácia das políticas anti‑racismo na Estônia e no futebol europeu em geral.
Fonte: ge.globo
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.






