Atlético-MG assegura adaptação de Mamady Cissé com suporte 24h
Tradutor, aulas de português e assistência social transformam a jornada do jovem guineense rumo ao profissionalismo.

Em 8 de maio de 2025, o atacante de 18 anos Mamady Cissé desembarcou em Confins sozinho, sem falar português e com apenas uma mala de mão; em menos de um ano, o clube o levou da base ao profissional, renovou seu contrato e o viu falar algumas palavras em português, graças a um programa de apoio que funcionou 24 horas por dia.
A chegada de Cissé coincidiu com a fase de consolidação da base do Atlético-MG, que, após a campanha de 2024 no Campeonato Brasileiro, intensificou investimentos em estruturas de desenvolvimento e criou o departamento Player Care, liderado por Mateus Salomão, para garantir a integração total de atletas estrangeiros.
Benjamin Lelaidier, tradutor e professor de francês, acompanhou o jovem guineense nos primeiros seis meses, atuando como ponte entre o técnico da base e o atleta, ensinando a abrir contas, comprar equipamentos e, sobretudo, transmitindo as orientações táticas com a mesma energia do treinador, inclusive permanecendo ao lado de Cissé nos jogos da base.
A assistência social, coordenada por Neila Bittencourt, complementou o trabalho de Lelaidier ao organizar aulas particulares de português adaptadas ao dialeto sisu de Cissé, monitorando seu progresso e garantindo que o jovem fosse capaz de compreender as instruções do elenco principal, enquanto o sub‑20, através do meia Pedrinho, introduziu o atleta à cultura mineira – visitas ao shopping, à Lagoa da Pampulha e até uma feijoada na casa da família do colega.
Quando Cissé passou a treinar com o elenco profissional, o Player Care passou a gerir sua mudança de moradia: reuniões com seu agente CIGA, psicóloga e nutricionista resultaram na locação de um apartamento próprio, além de aulas práticas de culinária na Cidade do Galo para que ele aprendesse a preparar refeições saudáveis e a cuidar da casa de forma autônoma.
O impacto desse suporte vai além da adaptação cultural; ao garantir que Cissé estivesse focado nos treinamentos e livre de preocupações logísticas, o clube acelerou sua evolução tática, permitindo que o meia fosse inserido em partidas do Campeonato Mineiro 2026 e se tornasse opção no banco do técnico, ampliando o leque de talentos internos e reduzindo a necessidade de contratações externas.
Com a temporada de 2026 em pleno andamento, Cissé deve disputar a partida contra o Cruzeiro na próxima rodada do Brasileirão, onde o técnico ainda avaliará sua participação nos minutos finais; a observação da evolução linguística e da autonomia fora de campo será crucial para definir se o modelo de apoio 24h será replicado em futuras contratações africanas.
Fonte: ge.globo
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