Câmara de SP aprova lei que corta patrocínio de bets aos clubes
A medida, proposta pelo vereador João Jorge, pode reduzir em até R$ 350 milhões a receita anual dos principais times paulistas.

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, o Projeto de Lei que restringe a publicidade de apostas esportivas na capital, medida que ameaça cortar até R$ 350 milhões anuais de patrocínio dos três maiores clubes da cidade.
Operadoras de betting vêm se consolidando como principais patrocinadores do futebol brasileiro nos últimos cinco anos, impulsionando receitas que, para Corinthians, Palmeiras e São Paulo, chegam a cerca de R$ 350 milhões por temporada, valor que tem financiado contratações, infraestrutura e programas de base.
O texto, de autoria do vereador João Jorge (MDB), proíbe a veiculação de propaganda de casas de apostas em “eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, amadores ou profissionais, realizados no Município de São Paulo”, abrangendo placas, faixas e painéis em praças esportivas, com multas de R$ 50 mil e veto de eventos por até dois anos.
Na última semana, representantes de Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e Juventus reuniram‑se na sede da Federação Paulista de Futebol para avaliar a proposta; presentes estavam também executivos das próprias operadoras de betting, que buscaram entender os limites e possíveis exceções ao texto.
A principal preocupação dos clubes reside na perda de um fluxo de caixa que já representa quase 20% do orçamento total; a ausência de patrocínio de betting pode forçar renegociações de contratos de camisa, reduzir investimentos em contratações e ampliar a diferença financeira em relação a equipes de outros estados que ainda mantêm esse apoio.
A iniciativa de São Paulo segue a tendência de municípios como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que já discutem restrições semelhantes; se aprovada, a lei pode servir de modelo para uma regulamentação nacional, pressionando a indústria a buscar novos formatos de marketing ou a concentrar sua presença em mídias digitais, menos visíveis nos estádios.
A proposta ainda precisa passar por segunda votação, sem data definida; enquanto isso, clubes e federação devem articular respostas jurídicas e comerciais, e torcedores ficarão atentos ao desenrolar das negociações que definirão se as camisas dos times ainda ostentarão marcas de betting na próxima temporada.
Fonte: ge.globo
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