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Clubes e federações pressionam Lula contra MP que ameaça apostas

Entidades do futebol buscam audiência para impedir medida que pode cortar patrocínios das operadoras de bets.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
Clubes e federações pressionam Lula contra MP que ameaça apostas

Diretoria de clubes como Flamengo, Corinthians e Palmeiras enviou pedido formal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, exigindo audiência para discutir a Medida Provisória que visa vetar parte das atividades das operadoras de apostas. A iniciativa surge em meio à possibilidade de a MP restringir o modelo de negócios que tem financiado grande parte dos contratos de patrocínio no futebol nacional. O pedido ganha urgência porque a medida pode ser publicada ainda nesta semana, antes da volta de Lula dos Estados Unidos.

O governo federal, segundo apuração do GE, estuda editar a MP para proibir jogos de cassino online, segmento que gera a maior parcela dos lucros das empresas de apostas. Embora a proposta não mencione diretamente as apostas esportivas, dirigentes temem que a restrição ao cassino crie um efeito cascata que inviabilize investimentos nas categorias de patrocínio vinculadas ao futebol. Lula, que está em Nova Iorque para a Assembleia Geral da ONU, deve retornar ao Brasil ainda nesta quarta-feira.

Na última sexta‑feira, os seis maiores clubes — Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco — divulgaram um manifesto conjunto alertando para o "fim do futebol brasileiro" caso a MP avance. A pesquisa da consultoria Bites, realizada a pedido do O Globo, mostrou que mais de 90% dos comentários nas publicações do Vasco foram contrários às bets, 86% no caso do Flamengo e 85% nas postagens dos clubes paulistas. O forte repúdio nas redes sociais evidencia a preocupação dos torcedores com a possível perda de patrocínios.

Desde a legalização das apostas esportivas em 2022, as operadoras tornaram‑se as principais fontes de receita publicitária para os clubes. Contratos como o da Betano com o Palmeiras (renovado em 2024) e o da Bet365 com o Flamengo (assinado em 2023) movimentam cifras que chegam a cerca de 30% do orçamento de patrocínio de cada equipe. Essa dependência acelerou a profissionalização dos departamentos de marketing e ampliou o investimento em tecnologia e engajamento digital nas arenas.

Caso a MP seja efetivada, a perda potencial de patrocínio pode reduzir em até R$ 150 milhões o faturamento anual conjunto dos seis clubes citados, segundo estimativas de analistas da BMG Capital. Além do impacto financeiro imediato, a medida pode desencorajar novas negociações com outras operadoras, limitando a capacidade dos clubes de financiar contratações, modernização de estádios e projetos sociais. O risco de queda de receita também pode afetar o equilíbrio financeiro exigido pela Lei do Futebol.

A estratégia dos dirigentes combina pressão institucional e mobilização da torcida nas redes sociais, buscando transformar a questão em tema de debate público antes da votação da MP no Congresso. Lula, que tem buscado equilibrar agenda econômica com pressões de setores conservadores, pode avaliar a repercussão política antes de conceder a audiência. A decisão do presidente será observada de perto pelos investidores das operadoras, que já sinalizaram revisão de contratos caso a restrição se confirme.

Para o futebol brasileiro, o próximo passo será a reunião solicitada com a Casa Civil, prevista para acontecer ainda nesta semana, seguida da tramitação da MP no plenário. Enquanto isso, clubes e federações devem intensificar a campanha de comunicação, destacando a importância das apostas para a sustentabilidade do esporte. O desenrolar da medida será decisivo para definir se o modelo de patrocínio atual permanecerá ou se o futebol buscará novas fontes de receita.

Fonte: ge.globo

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