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Jair Cunha celebra convocação à Seleção e agradece Bontempo

O zagueiro do Nottingham Forest relembra a infância compartilhada com Gabriel Bontempo enquanto recebe a primeira chamada de Carlo Ancelotti.

Redação Voz do Gol3 min de leitura
Jair Cunha celebra convocação à Seleção e agradece Bontempo

Jair Cunha recebeu, nesta terça‑feira, a primeira convocação para a Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti, coincidindo com um reencontro emotivo ao lado de Gabriel Bontempo em Brisbane. O zagueiro, titular do Nottingham Forest, descreveu o momento como "um filme" que se tornou realidade, ressaltando a importância do amigo de infância. A presença dos dois novatos na primeira data FIFA para a Copa de 2030 eleva a narrativa de superação ao centro das atenções.

Ambos cresceram na base do Santos, mas a trajetória de Jair foi marcada por um gesto de solidariedade: aos dez anos, ele foi acolhido na casa da família de Bontempo, recém‑chegado de Uberaba. Na época, os pais de Jair não tinham condições de se mudar, e o apoio do meio‑campista permitiu que o futuro zagueiro continuasse seus treinos na Vila Belmiro. Essa convivência durou quase uma década, formando laços que transcenderam o campo e culminaram no reencontro na Austrália.

A carreira de Jair despontou rapidamente. Em 2024, foi campeão da Série B pelo Santos e, no início de 2025, transferido ao Botafogo por 12 milhões de euros. Após apenas seis meses, o clube negociou sua venda ao Nottingham Forest pelo mesmo valor, aproveitando sua participação na Copa do Mundo de Clubes. Na atual temporada inglesa, ele já acumulou cinco partidas como titular absoluto, desempenho que lhe rendeu a inesperada chamada da Seleção.

Ancelotti utilizou a data em Brisbane para iniciar um processo de renovação que inclui a preparação para a Copa de 2030 e o projeto olímpico de Los Angeles‑2028. O Brasil enfrentará a Austrália em Townsville na sexta‑feira (7h, horário de Brasília) e novamente em Brisbane na terça‑feira, 29 de setembro, antes de seguir para a Índia, onde jogará contra a seleção local em Calcutá, em 3 de outubro. Esses amistosos servem como palco para testar a integração de jovens como Jair e avaliar a profundidade do elenco.

Do ponto de vista tático, Jair traz ao setor defensivo brasileiro uma combinação de velocidade, leitura de jogo e conforto com a bola nos pés, atributos refinados na Premier League. Sua presença oferece ao técnico uma opção de zagueiro à direita, capaz de apoiar a transição ofensiva, algo que Ancelotti tem valorizado nas seleções que dirige. Além disso, a história de superação reforça a narrativa de meritocracia, inspirando outros talentos das categorias de base que enfrentam barreiras socioeconômicas.

Financeiramente, a trajetória de Jair ilustra a eficiência de clubes como Santos e Botafogo na valorização de ativos jovens. O investimento de 12 milhões de euros foi amortizado rapidamente, e o retorno ao Forest mantém o valor de mercado do jogador estável, ao passo que abre espaço para futuras negociações. Para o Botafogo, a venda representou um alívio de caixa que pode ser reinvestido em reforços ou na estrutura da base, demonstrando a importância de uma política de revelação de talentos.

Nos próximos dias, o Brasil buscará consolidar a parceria entre Jair e a Seleção nos confrontos contra a Austrália, enquanto Bontempo, ainda no Santos, observa de perto o desenvolvimento do amigo. Os torcedores deverão observar a adaptação de Jair ao esquema de Ancelotti, sua comunicação com os companheiros de defesa e a capacidade de manter a consistência em jogos internacionais. Caso impressione, o zagueiro pode garantir lugar em convocações futuras, consolidando a história que começou em um quarto compartilhado na Vila Belmiro.

Fonte: ge.globo

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