Justiça anula procedimento ético contra vice-presidente do Corinthians
Decisão aponta conflito de funções na Comissão de Ética e abre caminho para nova apuração dos contratos Nike.

A Justiça de São Paulo anulou nesta quinta‑feira (21/08/2026) o procedimento aberto pela Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians contra o vice‑presidente Armando Mendonça, que investigava supostas irregularidades na gestão de materiais fornecidos pela Nike, citando 'insanáveis vícios estruturais' que poderiam ter levado à perda do mandato do dirigente.
O caso surge num momento em que o Corinthians, sob o comando de Fernando Diniz, avançou para as quartas‑de‑final da Libertadores após vencer o Memphis, reforçando a pressão sobre a diretoria para manter a imagem de clube vencedor enquanto lida com questões internas de governança.
A investigação original foi conduzida por Leonardo Fogaça Pantaleão, que, na ocasião, acumulava a presidência em exercício do Conselho Deliberativo – em licença de Romeu Tuma Junior – e a presidência da própria Comissão de Ética, fato que o juiz considerou incompatível com o princípio da imparcialidade.
Segundo a sentença, Pantaleão rejeitou sua suspeição, definiu um rito mais gravoso que poderia culminar em destituição e deu continuidade ao processo sem nomear relator antes da abertura do prazo de defesa, violando normas estatutárias e cerceando o direito à ampla defesa do associado.
A anulação tem repercussões imediatas: impede a aplicação de sanções a Mendonça e coloca em xeque a credibilidade da Comissão de Ética, enquanto a diretoria do clube ainda pode enfrentar questionamentos da torcida e patrocinadores sobre a transparência na gestão dos contratos Nike, que movimentam cifras de dezenas de milhões de reais ao ano.
Do ponto de vista institucional, a decisão judicial obriga o Corinthians a refazer a apuração seguindo estritamente o estatuto – com autoridade isenta, relator nomeado previamente e garantia de defesa – o que pode atrasar a conclusão de um caso que já afeta a percepção de integridade do clube perante investidores e órgãos reguladores.
Com a anulação, o próximo passo do Corinthians será decidir se abre um novo processo ou se opta por medidas administrativas internas; a atenção se volta agora para a partida de volta das quartas‑de‑final da Libertadores, onde o desempenho em campo pode ser decisivo para afastar o foco das controvérsias institucionais.
Fonte: ge.globo
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