Mbappé e Dembélé rompem amizade enquanto disputam a Bola de Ouro
Declarações polêmicas reacendem rivalidade entre os atacantes franceses em plena corrida ao prêmio individual.

Kylian Mbappé gerou controvérsia ao afirmar que Ousmane Dembélé sempre foi visto como “talentoso”, enquanto ele próprio seria “o escolhido”, declaração que acabou por romper a amizade construída desde os 15 anos e que ganha repercussão no meio da disputa pela Bola de Ouro. O clima tenso tem implicações diretas no ambiente da seleção francesa, que se prepara para a próxima janela da Liga das Nações. O fato destaca como rivalidades individuais podem transbordar para o coletivo, sobretudo quando o prêmio máximo do futebol está em jogo.
Mbappé e Dembélé são pilares da geração que conquistou a Copa do Mundo de 2022; o primeiro, artilheiro da competição com 22 gols, encerrou a temporada como o maior goleador da Champions League 2023‑24 com 15 gols, enquanto Dembélé tem sido peça-chave do Paris Saint‑Germain, somando 12 gols e 7 assistências até o momento. Ambos concorrem ao Ballon d’Or 2024, mas suas trajetórias divergem: Mbappé tem mantido uma presença constante, já Dembélé ainda carrega o histórico de lesões que o afastaram por períodos críticos. Essa disparidade alimenta a percepção de que o francês de 24 anos está mais próximo do título individual.
Em entrevista recente à France Football, Mbappé declarou: “Dembélé sempre foi visto como o jogador talentoso, enquanto eu convivo com o status de ser o escolhido”. A frase, ao ser publicada, foi interpretada como uma comparação direta de mérito e esforço, gerando desconforto entre os companheiros de seleção. O craque, que atualmente joga no Paris Saint‑Germain, tentou contextualizar seu comentário como reflexo da pressão que carrega como principal candidato ao prêmio.
A reação não tardou. O ex‑jogador da seleção, Jérôme Rothen, afirmou à rádio RMC Sport que “todos à volta de Ousmane ficaram chateados”, inclusive jogadores do PSG. O jornal L’Équipe relatou ainda que nas conversas de grupo – antes repletas de brincadeiras – o tom mudou, com colegas de Dembélé percebendo que Mbappé “foi longe demais”. Dembélé, por sua vez, respondeu ao canal Ligue 1+ após a vitória sobre o Brest, dizendo que nunca “disse uma palavra”, mas trabalhou “incrivelmente duro” e que o ano passado foi recompensado com o título francês.
O atrito tem potencial para afetar a química da seleção nas próximas partidas da Liga das Nações contra Turquia, Bélgica e Itália. O técnico Didier Deschamps, citado por fontes próximas, minimizou o episódio, citando declarações de Zinédine Zidane que defendem a liberdade de expressão dentro do grupo. Ainda assim, a percepção de divisão pode influenciar a concentração dos atacantes em campo, sobretudo em jogos onde a criatividade de Mbappé e a velocidade de Dembélé são decisivas.
No âmbito do Ballon d’Or, o PSG tem usado a situação como parte de sua estratégia de marketing, promovendo tanto Mbappé quanto Dembélé como candidatos viáveis. Dembélé, ao elogiar o colega georgiano Khvicha Kvaratskhelia como “o melhor jogador do mundo”, lançou indiretamente uma crítica ao argentino Lionel Messi, que ainda disputa o prêmio. Essa manobra reforça a narrativa de que o clube busca dividir a atenção da imprensa entre seus dois astros, mitigando o impacto negativo da polêmica.
Com a próxima janela de jogos da Liga das Nações se aproximando, a atenção se volta para a postura dos dois atacantes nos treinos e nas entrevistas coletivas. Observadores apontam que uma reconciliação pública, possivelmente mediada por Deschamps ou Zidane, pode ser crucial para preservar a coesão da equipe. Enquanto isso, o público e os analistas acompanharão de perto as declarações de Mbappé e Dembélé, que podem definir não só a disputa pela Bola de Ouro, mas também o futuro da amizade que começou na adolescência.
Fonte: Trivela
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