Portugal x Espanha: Meios-campos
O duelo pelas oitavas de final da Copa do Mundo que pode ser decidido pelo meio-campo que finalmente funcionar como esperado

O jogo entre Portugal e Espanha pelas oitavas de final da Copa do Mundo é um duelo que vai além da rivalidade ibérica. Em poucos metros do gramado, estarão reunidos alguns dos melhores meio-campistas do planeta, como Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes, Rodri, Pedri e Dani Olmo, que comandam clubes como Paris Saint-Germain, Manchester City e Barcelona.
Ambos os times têm meios-campos extremamente técnicos e conseguem sufocar adversários durante boa parte dos jogos. No entanto, em vários momentos, faltou criatividade para desmontar defesas fechadas e transformar domínio territorial em chances claras de gol. Portugal, por exemplo, monopoliza a posse de bola, mas muitas vezes circula o jogo sem conseguir desorganizar o adversário.
A seleção portuguesa tem talento de sobra, mas seu meio-campo ainda joga abaixo do potencial. A combinação entre Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes parecia formar o trio de meio-campo mais completo da competição. No entanto, na prática, a engrenagem ainda não encaixou. Contra RD Congo e Colômbia, equipes que defenderam em blocos compactos, a seleção de Roberto Martínez encontrou enorme dificuldade para romper linhas.
Os números ajudam a explicar essa sensação. Mesmo com tanta qualidade técnica, Portugal aparece apenas na metade da tabela da Copa em grandes chances criadas e também está longe dos líderes em gols esperados (xG). Para uma seleção construída para controlar partidas, é um rendimento ofensivo abaixo do esperado. O problema não parece estar na capacidade individual dos jogadores, mas na forma como eles ocupam o campo.
A Espanha, por outro lado, talvez possua o sistema coletivo mais refinado desta Copa. A equipe de Luis de la Fuente continua fiel ao tradicional Jogo de Posição espanhol, mas com uma diferença importante em relação às versões anteriores de La Roja. Em vez de trocar passes apenas para controlar a posse, o meio-campo espanhol procura constantemente criar superioridade pelos lados do campo e tudo começa com Rodri.
O volante do Manchester City funciona como o metrônomo da equipe, ditando o ritmo das ações e encontrando passes que quebram linhas de pressão. Ao seu lado, Pedri oferece condução e capacidade para carregar a bola até o último terço. Mais à frente, Dani Olmo aparece constantemente entre linhas para conectar os ataques. O futebol espanhol é menos dependente do talento individual e mais baseado em sincronização coletiva.
O duelo entre Portugal e Espanha pode ser definido menos pelo brilho de Cristiano Ronaldo ou Mikel Oyarzabal e mais pela equipe que conseguir fazer seu meio-campo finalmente funcionar como todos esperavam antes do início do Mundial. O jogo será uma grande oportunidade para ambos os times mostrarem seu potencial e decidirem quem avança para a próxima fase da competição.
Fonte: Trivela
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