Acréscimos e prorrogação: como funciona o tempo extra no futebol
Por que o árbitro dá minutos a mais no fim de cada tempo, como esse tempo é calculado e quando o jogo ganha meia hora de prorrogação no mata-mata

Sim, a prorrogação tem acréscimo. As Regras do Jogo da IFAB tratam o tempo extra como dois tempos de até 15 minutos, e a Regra 7 manda o árbitro repor, ao fim de cada tempo, todo o tempo de jogo perdido nele. Por isso cada metade da prorrogação pode terminar depois do minuto 105 e do minuto 120 do relógio.
Resumo rápido
- Acréscimo repõe tempo perdido e existe em qualquer jogo, ao fim de cada tempo, inclusive do primeiro.
- Prorrogação é tempo novo: só acontece quando o regulamento exige um vencedor depois de um empate.
- Cada um dos dois tempos de 15 minutos da prorrogação recebe o próprio acréscimo, como no tempo normal.
- A placa do quarto árbitro mostra o mínimo; o árbitro pode aumentar esse tempo, nunca reduzir.
- Se a prorrogação termina empatada, a decisão vai para os pênaltis, que acontecem depois do fim da partida.
Acréscimo e prorrogação não são a mesma coisa
A confusão é comum porque os dois aparecem como "tempo extra" na transmissão. O acréscimo é uma reposição: o relógio do futebol não para quando a bola sai ou um jogador é atendido, então o árbitro devolve no fim de cada tempo os minutos que se perderam. Ele acontece em todo jogo, de pontos corridos ou de mata-mata, e não depende do placar.
A prorrogação é outra coisa: é um período adicional, criado pelo regulamento da competição, para quando um empate não pode ficar como resultado. A Regra 10 da IFAB lista três caminhos permitidos para apontar um vencedor depois de um empate num jogo ou num confronto de ida e volta: o critério do gol fora de casa, dois períodos iguais de prorrogação de no máximo 15 minutos cada e a disputa de pênaltis. A competição pode combinar esses caminhos.
| Ponto | Acréscimo | Prorrogação |
|---|---|---|
| O que é | Reposição do tempo de jogo perdido | Período novo, além do tempo normal |
| Quando acontece | Ao fim de cada tempo, em qualquer partida | Só se o regulamento exigir vencedor após empate |
| Duração | Definida pelo árbitro conforme as paradas | Dois tempos iguais de até 15 minutos |
| Quem decide | O árbitro; o quarto árbitro só exibe o mínimo | O regulamento da competição, antes do jogo |
| Tem acréscimo? | Pode aumentar se houver nova parada nele | Sim, ao fim de cada um dos dois tempos |
| Base nas regras | Regra 7 (duração da partida) | Regra 10 (resultado da partida) |
Num campeonato de pontos corridos, como o Brasileirão, o empate vale um ponto para cada lado e o jogo termina com os acréscimos do segundo tempo. A ordem na tabela depois de empates segue outra lógica, explicada no guia dos critérios de desempate do Brasileirão.
Como o árbitro calcula os acréscimos
A Regra 7 determina que, em cada tempo, o árbitro compense todo o tempo de jogo perdido naquele tempo. A lista da IFAB é específica e vale também para a prorrogação. Quando a última volta do relógio termina, o quarto árbitro levanta a placa com o número de minutos decidido pelo árbitro.
| Causa prevista na Regra 7 | Exemplo em campo |
|---|---|
| Substituições | Troca feita com a bola parada |
| Atendimento e retirada de lesionados | Maca e médico entrando no gramado |
| Perda deliberada de tempo | A conhecida "cera" para segurar o placar |
| Sanções disciplinares | Tempo gasto para mostrar um cartão |
| Paradas médicas previstas no regulamento | Pausa para hidratação ou para resfriamento |
| Checagens e revisões do VAR | Árbitro indo ao monitor à beira do campo |
| Comemorações de gol | Festa do gol com a torcida |
| Outras causas | Demora longa para reiniciar, como invasão de campo |
A pausa para hidratação, segundo a Regra 7, não deve passar de um minuto; a de resfriamento vai de um minuto e meio a três minutos. Ambas entram na conta do acréscimo. As decisões do árbitro de vídeo também entram, e o funcionamento dessas revisões está no guia sobre o VAR e quando ele é acionado.
A placa mostra o mínimo, não o total
O número exibido é o mínimo. A Regra 7 permite ao árbitro aumentar o acréscimo, mas proíbe diminuir. Se durante os minutos adicionais houver uma lesão, uma revisão do VAR ou uma comemoração de gol, esse novo tempo perdido também pode ser reposto, e o jogo passa do número da placa.
Duas situações da própria IFAB ajudam a entender o limite. Se o árbitro já decidiu dar 3 minutos e, segundos antes do fim do tempo normal, uma lesão para o jogo por 5 minutos, o acréscimo jogado continua sendo o tempo que restava, e não a duração da parada. E o árbitro não pode corrigir um erro de cronometragem do primeiro tempo mudando a duração do segundo.
Tem acréscimo no primeiro tempo?
Tem. A regra fala em "each half", ou seja, cada tempo. O primeiro tempo recebe a reposição das paradas que aconteceram nele, e o segundo tempo recebe a das suas. O tempo perdido de um tempo não migra para o outro.
Pênalti marcado no último lance
Se um pênalti precisa ser cobrado ou repetido quando o tempo acaba, a Regra 7 estende o tempo até a cobrança terminar. Se a bola entrar e não houver infração, o gol vale e o árbitro encerra o jogo sem nova saída de bola, segundo a IFAB.
Por que a prorrogação também tem acréscimo
As Regras do Jogo descrevem a prorrogação como dois tempos. A Regra 8 diz que a saída de bola inicia os dois tempos da partida e também os dois tempos da prorrogação, e a Regra 7 cita o intervalo do meio da prorrogação. Como a reposição de tempo vale para cada tempo, as paradas do tempo extra são compensadas no fim de cada uma das suas metades.
O regulamento da Copa do Mundo de 2022, da FIFA, deixa isso claro na prática: os relógios do estádio param ao fim do tempo normal de cada tempo, e a regra vale também na prorrogação, depois de 15 minutos de cada metade. O quarto árbitro usa a placa eletrônica para indicar os minutos de tempo perdido a serem jogados.
Prorrogação é quantos minutos
A Regra 10 fixa dois períodos iguais de no máximo 15 minutos, o que dá até 30 minutos de prorrogação no papel. Somados aos 90 minutos do tempo normal, o jogo chega a 120 minutos de relógio, sem contar os quatro acréscimos possíveis: o do primeiro tempo, o do segundo e os dos dois tempos da prorrogação.
Os intervalos também mudam. A Regra 7 dá aos jogadores um intervalo de até 15 minutos no meio do jogo e prevê, no meio da prorrogação, apenas uma pausa curta para beber água, de até um minuto. No regulamento da Copa do Mundo de 2022, havia ainda um intervalo de até cinco minutos entre o fim do tempo normal e o início da prorrogação, com os jogadores dentro do campo.
Antes da prorrogação, o árbitro faz um novo sorteio com moeda, porque, segundo a Regra 8, a saída de bola da prorrogação é tratada como um novo início: quem vence escolhe o lado ou a saída, como no começo da partida.
O primeiro gol não encerra a prorrogação
Pela Regra 10, os procedimentos permitidos são os dois períodos iguais de prorrogação e, se preciso, os pênaltis. Não há previsão de encerrar o jogo no primeiro gol: os dois tempos são jogados por inteiro, com os seus acréscimos, mesmo que um time abra vantagem.
Quando um jogo tem prorrogação
Quem decide é o regulamento de cada competição, não a regra geral. A IFAB apenas lista os métodos permitidos; cada torneio escolhe quais usa e em que ordem. No regulamento da Copa do Mundo de 2022, por exemplo, o empate no tempo normal de um jogo de mata-mata levava à prorrogação de dois tempos de 15 minutos e, persistindo a igualdade, aos pênaltis.
Como a Regra 10 permite usar os métodos isolados ou combinados, um torneio pode, por exemplo, levar um confronto de ida e volta empatado direto aos pênaltis, sem prorrogação. Por isso vale conferir o regulamento de cada torneio: o guia sobre desempate no mata-mata, gol fora, prorrogação e pênaltis compara os formatos, e o guia da Copa do Brasil e suas fases mostra o caso brasileiro. O mata-mata da Copa do Mundo atual está no guia do formato com 48 seleções.
Substituições e cartões no tempo extra
A Regra 3 permite até cinco substituições em competições oficiais, em no máximo três paradas para trocas, para os times principais da primeira divisão e seleções. Se um time não usou todas as trocas ou paradas no tempo normal, pode usá-las na prorrogação. Trocas feitas no intervalo antes da prorrogação e no meio dela não contam como parada usada.
O regulamento da competição também pode liberar uma substituição adicional quando o jogo vai à prorrogação, mesmo para quem já fez todas as trocas; nesse caso, a Regra 3 dá ainda uma parada a mais. A Copa do Mundo de 2022 usou essa permissão. Como toda substituição, a troca na prorrogação também entra na conta do acréscimo.
Já os cartões não passam para os pênaltis. A Regra 10 diz que advertências recebidas durante o jogo, inclusive na prorrogação, não são levadas para a disputa; um jogador expulso, porém, não pode cobrar. O que acontece com amarelos acumulados para os próximos jogos é tratado no guia sobre cartões e suspensão.
O que acontece se a prorrogação terminar empatada
A decisão vai para os pênaltis. A Regra 10 determina que a disputa é feita depois do fim da partida, ou seja, não faz parte do jogo: o resultado da partida continua sendo o empate, e os pênaltis apontam quem avança ou fica com o título. Cada equipe cobra cinco vezes, alternadamente; se continuar igual, as cobranças seguem até um time fazer um gol a mais com o mesmo número de chutes.
Só podem cobrar os jogadores que estavam em campo no fim da prorrogação. Uma troca pedida no último minuto que não chegou a ser feita antes do apito final não pode mais acontecer, com uma exceção: a do goleiro que não tem condições de continuar. As funções de cada árbitro nesses momentos estão no guia sobre árbitro, assistentes e quarto árbitro.
Como apuramos
As regras sobre acréscimo, intervalos e pênalti no fim do tempo vêm da Regra 7 da IFAB; os métodos de desempate, a duração máxima da prorrogação e a disputa de pênaltis, da Regra 10; o novo sorteio antes da prorrogação, da Regra 8; e as substituições, da Regra 3, todas na edição 2026/27. O exemplo de competição usa o regulamento oficial da Copa do Mundo de 2022, da FIFA. As somas de minutos (30, 105 e 120) foram feitas pela Redação a partir desses documentos.
- IFAB — Regras do Jogo, Regra 7: duração da partida (acesso em 02/11/2026)
- IFAB — Regras do Jogo, Regra 10: resultado da partida (acesso em 02/11/2026)
- IFAB — Regras do Jogo, Regra 8: início e reinício do jogo (acesso em 02/11/2026)
- IFAB — Regras do Jogo, Regra 3: os jogadores (acesso em 02/11/2026)
- FIFA — Regulamento da Copa do Mundo de 2022 (acesso em 02/11/2026)
Perguntas frequentes
Tem acréscimo na prorrogação?
Sim. A prorrogação tem os seus próprios acréscimos: cada um dos dois tempos de 15 minutos pode receber minutos adicionais para repor as paralisações — contusões, substituições, comemorações de gol e revisões do VAR —, exatamente como nos 90 minutos. Só depois de cumpridos esses acréscimos o árbitro encerra o período; se o empate continuar, a decisão vai para os pênaltis.
Qual a diferença entre acréscimos e prorrogação no futebol?
Acréscimos são os minutos que o árbitro adiciona ao fim de cada tempo dos 90 minutos regulamentares para compensar o período em que a bola ficou parada. Já a prorrogação é um tempo extra completo, de 30 minutos, que só acontece em jogos de mata-mata que terminam empatados e precisam de um vencedor. Em resumo: um repõe tempo perdido, o outro cria tempo novo.
O que conta como acréscimo no futebol?
Segundo as regras da IFAB, viram acréscimo as paralisações cronometradas durante a partida: substituições, contusões e atendimento a jogadores, comemorações de gol, revisões e decisões do VAR, cartões, perda deliberada de tempo e qualquer outra causa de paralisação. Isso existe porque o cronômetro do futebol não para: o relógio corre sem interrupção, e o tempo perdido é devolvido no fim de cada etapa.
Quando tem prorrogação no futebol?
A prorrogação só acontece em jogos de mata-mata que terminam empatados e precisam de um vencedor. Diferentemente dos acréscimos, que repõem o tempo em que a bola ficou parada nos 90 minutos, a prorrogação cria tempo novo: é um período extra e completo de 30 minutos, dividido em dois tempos de 15.
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