Pular para o conteúdo

Regra do pênalti em 2026: goleiro, invasão da área e VAR

A cobrança a 11 metros tem detalhes que decidem jogos: a posição do goleiro, o critério do 'impacto claro' na invasão, a nova regra do toque duplo e os limites do VAR

Pedro Henrique5 min de leitura

O pênalti é o castigo máximo do futebol: uma cobrança a 11 metros do gol, com o batedor de frente para o goleiro e todos os outros jogadores fora da área. Ele é marcado quando um jogador comete, dentro da própria grande área, uma infração que renderia falta em qualquer outro ponto do campo — como derrubar o adversário, dar carrinho por trás ou tocar a bola com a mão. Não importa onde a bola está na hora do lance: o que conta é o local da infração.

A execução parece simples, mas guarda detalhes que decidem jogos. A bola precisa estar parada na marca do pênalti, o batedor tem de ser claramente identificado, e a bola só está em jogo depois de chutada e de se mover para frente. Em regra, o batedor não pode voltar a jogar a bola antes que ela toque em outro jogador: se a bola bate na trave e ele a joga de novo de forma deliberada, o árbitro marca tiro livre indireto para a defesa e ainda lhe aplica cartão amarelo por conduta antidesportiva.

Esse ponto mudou em 2025 e vale ficar atento em 2026. A IFAB passou a separar o toque duplo proposital do acidental — a chamada 'regra Julián Álvarez', batizada após o argentino escorregar e tocar a bola duas vezes numa cobrança de Champions. Agora, se o segundo toque é acidental (o batedor escorrega e pega a bola com os dois pés, ou a bola volta e encosta nele sem que ele a jogue de propósito), o critério é o resultado: se a bola entrou, o pênalti é repetido; se não entrou, marca-se tiro livre indireto. Só o toque claramente deliberado mantém a punição cheia, com o gol anulado e cartão.

O goleiro é a figura mais vigiada do lance. Pela Lei 14 da IFAB, no momento em que a bola é chutada ele precisa ter pelo menos parte de um dos pés tocando a linha do gol, em cima dela ou atrás dela. Ou seja: ele pode se mover para os lados e até dançar sobre a linha, mas não pode se lançar para frente antes da batida. O objetivo é impedir que o arqueiro reduza a distância e a mira do cobrador de forma desleal.

Mas nem toda saída antecipada do goleiro gera repetição. Aqui entra o conceito que mudou o jogo: o do 'impacto claro'. Se o goleiro adianta o pé, defende o pênalti e a antecipação claramente o ajudou, a cobrança é repetida — e ele nem leva cartão por isso. Se, porém, o batedor perde o pênalti para fora ou converte mesmo com o goleiro fora da linha, o resultado vale como está. Não se repete um gol nem uma bola na arquibancada por causa de um pé adiantado que não mudou nada.

A invasão da área pelos demais jogadores segue a mesma lógica de 'só repete se atrapalhou'. Todos os atletas, menos batedor e goleiro, têm de ficar atrás da bola, fora da área e fora do semicírculo (a 'lua'), até o chute. Quando alguém invade antes da hora, o árbitro não anula a jogada automaticamente. O critério é o efeito: se um companheiro do batedor invade e marca no rebote, o gol é anulado; se um defensor invade e a bola sai, o pênalti é repetido; se ninguém interferiu de fato, o lance segue.

Um detalhe que confunde a torcida é a diferença entre 'invasão' e 'finta'. Fintar durante a corrida de aproximação — parar, mudar o ritmo, dar aquele passinho para enganar o goleiro — é totalmente permitido e faz parte do jogo. O que é proibido é fintar depois de concluída a corrida, no instante do chute, parando o pé junto à bola. Isso é considerado conduta antidesportiva: o batedor leva cartão amarelo e a equipe perde a cobrança, ganhando o adversário um tiro livre indireto. É punição mais dura que a invasão justamente por ser vista como trapaça.

É nesse cenário que o VAR entra — e com limites bem definidos. O árbitro de vídeo pode recomendar a revisão de um pênalti em quatro situações: infração dentro ou fora da área na origem do lance, gol validado ou anulado, expulsão direta e troca de identidade. E desde a temporada 2025/26 há uma novidade na cobrança em si: o VAR passou a ser o único responsável por vigiar o avanço do goleiro, enquanto o assistente foi reposicionado para a linha da marca do pênalti, de olho no impedimento em caso de rebote. A lógica é sempre a do impacto: o vídeo corrige erros claros e decisivos, não caça milímetros inofensivos.

Por isso é comum ver, na prática, o VAR mandar repetir um pênalti quando o goleiro sai da linha e defende, mas mandar seguir o jogo quando ele sai e o batedor desperdiça mesmo assim. Foi esse tipo de julgamento que a IFAB reforçou nas orientações recentes para não transformar cada cobrança num festival de repetições. A régua ficou nítida: erro que mudou o lance, corrige; detalhe que não mudou nada, ignora.

Vale lembrar ainda que existe uma variação onde nada disso de rebote se aplica: a disputa de pênaltis para desempate, ao fim de um mata-mata. Ali cada cobrança é definitiva — não há rebote válido, e se a bola bate na trave e volta, acabou. As regras de posicionamento do goleiro e de finta continuam valendo, mas o clima é outro, com uma única chance por batida. Resumo para não errar mais: pênalti se marca pelo local da infração, o goleiro precisa de um pé na linha até o chute, toque duplo acidental hoje manda repetir (e não punir cego), e a palavra mágica em toda análise moderna é 'impacto'.

Perguntas frequentes

Quando o árbitro marca pênalti?

O pênalti é marcado quando um jogador comete, dentro da própria grande área, uma infração que renderia falta em qualquer outro ponto do campo — como derrubar o adversário, dar carrinho por trás ou tocar a bola com a mão. Não importa onde a bola está no momento do lance: o que conta é o local da infração.

Como funciona a cobrança de pênalti?

A cobrança é feita a 11 metros do gol, com o batedor de frente para o goleiro e todos os outros jogadores fora da área. A bola precisa estar parada na marca do pênalti, o batedor tem de ser claramente identificado e a bola só está em jogo depois de chutada e de se mover para frente.

O que é a regra do toque duplo (regra Julián Álvarez)?

É a mudança feita pela IFAB em 2025, válida em 2026, que separa o toque duplo proposital do acidental no pênalti. Foi batizada após Julián Álvarez escorregar e tocar a bola duas vezes numa cobrança de Champions. Quando o segundo toque é acidental — como escorregar e pegar a bola com os dois pés —, o critério passa a ser o resultado do lance.

O batedor pode aproveitar o rebote do próprio pênalti?

Em regra, não: o batedor não pode voltar a jogar a bola antes que ela toque em outro jogador. Se a bola bate na trave e ele a joga de novo de forma deliberada, o árbitro marca tiro livre indireto para a defesa e ainda aplica cartão amarelo por conduta antidesportiva.

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.

Notícias relacionadas