São Paulo aprova reforma estatutária e transforma Conselho de Administração
Grupos de situação se opõem, mas a votação marcada para quarta-feira pode mudar a governança do clube.

Grupos de situação se posicionaram contra a reforma do Estatuto do São Paulo e a votação será realizada nesta quarta-feira, colocando em risco uma mudança estrutural que pode redefinir a governança do clube. A proposta, que altera a composição e as competências do Conselho de Administração, tem implicações diretas na transparência financeira e na tomada de decisões estratégicas. O debate surge em um momento crítico, com o Tricolor buscando estabilidade institucional após anos de instabilidade administrativa e financeira.
Atualmente, o Conselho de Administração do São Paulo é formado pelo presidente, vice‑presidente, três conselheiros, um membro do Conselho Consultivo e três membros independentes indicados pelo presidente. Harry Massis, presidente do clube, preside o colegiado de forma automática, prática que a reforma pretende mudar. O clube ainda enfrenta dificuldades de caixa, dívidas acumuladas e um processo de transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF que ainda não foi concluído), o que aumenta a urgência por mecanismos de controle mais rígidos.
A reforma propõe que o Conselho de Administração passe a ter nove membros: três conselheiros, um representante do Conselho Consultivo e cinco independentes selecionados por empresa especializada e aprovados em votação aberta no Conselho Deliberativo, cada um com direito a três votos. A remuneração desses conselheiros deixaria de obedecer ao teto de 70% do limite do funcionalismo público (R$ 46.366,19), permitindo salários mais competitivos para atrair perfis executivos. Além disso, o presidente deixaria de ser automaticamente o presidente do Conselho, sendo eleito pelos nove membros, o que pode reduzir a centralização de poder nas mãos de Massis.
Outras mudanças incluem a subordinação do compliance ao Conselho de Administração, a obrigação de o colegiado elaborar a proposta orçamentária do clube e o acesso obrigatório a contratos de atletas, comissão técnica e intermediários em até sete dias. O Estatuto também elimina a ambiguidade entre os artigos 112 e 58, estabelecendo que o quórum para destituir um presidente será de dois terços dos conselheiros, e exige que pelo menos um membro do Conselho Fiscal seja contabilista registrado no CRC. O Conselho Fiscal ganhará poder de solicitar informações diretamente à diretoria executiva e ao Conselho de Administração, com penalidades previstas para dirigentes que utilizarem recursos do clube em benefício próprio ou cometerem irregularidades fiscais.
Do ponto de vista tático‑gerencial, a reforma pode profissionalizar a tomada de decisão, trazendo expertise externa e reduzindo a interferência política nas questões operacionais. A independência dos conselheiros e a remoção do teto salarial podem atrair executivos com experiência em gestão de grandes clubes, potencializando a elaboração de um planejamento estratégico de três a cinco anos. Contudo, a maior autonomia também traz risco de conflitos de interesse, especialmente se a remuneração dos conselheiros ultrapassar o patamar atual, pressionando o orçamento já apertado do Tricolor.
Os grupos de situação, formados por associados tradicionais, argumentam que a mudança pode enfraquecer a representatividade dos sócios e abrir caminho para decisões que favoreçam interesses externos. Eles temem que a seleção de conselheiros por empresa especializada reduza a transparência e que o aumento da remuneração gere um ônus financeiro adicional. A disputa interna pode se refletir no Conselho Deliberativo, onde a votação aberta pode revelar fissuras entre facções pró‑reforma e conservadoras, influenciando a aprovação final.
Caso a proposta seja aprovada na votação desta quarta-feira, ainda será necessária a ratificação em Assembleia Geral de sócios, prevista para o final do ano, antes de entrar em vigor no próximo exercício. O clube deverá, então, adaptar seus processos internos, revisar contratos de prestação de contas e comunicar as mudanças aos patrocinadores e à imprensa. Observadores recomendam acompanhar o resultado da votação, a reação de Harry Massis e a eventual necessidade de ajustes legais, pois esses elementos definirão se a reforma cumprirá seu objetivo de modernizar a governança do São Paulo.
Fonte: ge.globo
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