São Paulo proíbe bets e ameaça receitas dos gigantes do futebol
Projeto de lei avança na CCJ e mobiliza Corinthians, Palmeiras e São Paulo para proteger contratos de patrocínio.

O projeto de lei que proíbe a publicidade de apostas esportivas em eventos realizados na cidade de São Paulo recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e já mobiliza os três grandes clubes da capital, que temem perder cerca de R$ 350 milhões anuais em patrocínios master.
Nos últimos cinco anos, as casas de betting substituíram patrocinadores tradicionais, elevando drasticamente os valores dos contratos: o Corinthians, que até 2023 recebia R$ 17 milhões de uma farmacêutica, já fatura R$ 150 milhões com a bet, enquanto o Flamengo lidera nacionalmente com R$ 268,5 milhões em patrocínio de camisa, segundo dados de 2024.
Apresentado pelo vereador João Jorge (MDB), o texto veda anúncios em “eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, amadores ou profissionais” e inclui placas, faixas e painéis em praças esportivas; as sanções variam de multa de R$ 50 mil ao veto de realização de eventos por dois anos.
Corinthians, Palmeiras e São Paulo, junto à Federação Paulista de Futebol (FPF), iniciaram uma articulação conjunta após a aprovação na CCJ, realizando reunião na última sexta‑feira e mantendo diálogo com o prefeito Ricardo Nunes (MDB); o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, alertou que a medida pode criar “desvantagem em relação aos rivais nacionais” e comprometer a disputa por títulos.
Financeiramente, a perda potencial de R$ 350 milhões representa mais de 20% da receita total de patrocínio dos três clubes, reduzindo a margem para investimentos em contratações, renovação de contratos e estrutura de base, o que pode forçar a busca por patrocinadores menos dispostos a pagar valores comparáveis.
Do ponto de vista competitivo, a disparidade de receitas pode refletir diretamente no campo: enquanto clubes de estados sem restrição mantêm contratos bilionários, os paulistas podem enfrentar dificuldades para manter elencos de alto nível, como apontou o advogado especializado em direito esportivo Pedro Lopes, que destacou a vantagem de equipes que ainda exploram o mercado de bets.
A discussão já ultrapassa a capital; no Congresso Nacional tramitam projetos semelhantes e Minas Gerais, sob o governador Mateus Simões (PSD), assinou decreto que proíbe propaganda de apostas em equipamentos estaduais, inclusive no Mineirão, sinalizando um possível efeito cascata que pode redefinir o modelo de patrocínio no futebol brasileiro.
A próxima etapa será a votação em plenário da Câmara, prevista para o final de setembro, quando os clubes pretendem apresentar emendas que preservem o direito de veiculação em estádios; o desenrolar da pauta será decisivo para definir se o futebol paulista terá que reinventar seu modelo de receita ou se buscará soluções judiciais para contornar a restrição.
Fonte: ge.globo
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.






