Sagna defende Gyokeres e traça paralelo com Henry para acalmar torcedores
Ex‑defensor do Arsenal argumenta que a primeira temporada do atacante sueco ainda está longe de revelar seu potencial.

Bacary Sagna saiu à luz para defender Viktor Gyokeres, lembrando que o atacante sueco ainda vive sua primeira temporada no Arsenal e que comparações precipitadas com lendas podem ser enganosas. A declaração surge em meio a um debate acalorado sobre a pouca utilização do jogador, que somou apenas 12 minutos em três partidas. Para o ex‑defensor, o ponto crucial é entender que o desenvolvimento de um centro‑avante de £75 mi não se mede em minutos iniciais.
O Arsenal começou a defesa do título da Premier League com três vitórias consecutivas, mantendo um aproveitamento perfeito – um feito compartilhado por apenas dois clubes na competição. Viktor Gyokeres chegou ao clube em julho, num acordo que pode chegar a £75 milhões, vindo do Sporting CP, mas ainda não garantiu sequer um início de partida contra adversários de ponta como Aston Villa ou Chelsea. Essa hesitação de Mikel Arteta alimentou dúvidas sobre a capacidade do sueco de assumir a referência ofensiva dos Gunners.
Na campanha vitoriosa de 2023‑24, Gyokeres participou de 36 dos 38 jogos da Premier League, marcando 14 gols, além de 55 partidas em todas as competições e 21 gols no total. Ainda assim, nesta nova temporada, o atacante tem sido reserva, acumulando apenas 12 minutos em três compromissos. Sagna ressaltou que as críticas que cobram “30 gols na primeira temporada” ignoram a realidade de adaptação que a maioria dos jogadores estrangeiros enfrenta ao chegar à Inglaterra.
Para sustentar seu argumento, Sagna trouxe à memória a trajetória de Thierry Henry, que, ao deixar o Monaco por cerca de £12 milhões em janeiro de 1999, teve um início difícil na Juventus, marcando apenas três gols em 19 jogos. Henry só encontrou a forma plena após regressar à Inglaterra, onde anotou 26 gols em 48 partidas na primeira temporada pelo Arsenal – número apenas cinco a mais que o total de Gyokeres na sua estreia. O paralelo não é meramente retórico; demonstra que grandes atacantes podem precisar de tempo para se adaptar ao estilo e à exigência tática de novos clubes.
Do ponto de vista tático, a ausência de Gyokeres deixa Arteta sem um verdadeiro centro‑avante de referência, forçando o técnico a depender de Gabriel Jesus, Bukayo Saka e até de jogadores de meio‑campo como Martin Ødegaard nas jogadas de finalização. O investimento de até £75 mi eleva a pressão da diretoria e da torcida, que esperam retorno imediato em gols e presença física na área. Enquanto isso, a concorrência interna e a necessidade de adaptar-se ao ritmo intenso da Premier League dificultam a inserção do sueco nos planos de jogo.
Além da questão tática, há um aspecto psicológico: Gyokeres tem que lidar com a expectativa de ser o principal atacante em um elenco repleto de talentos de mesma categoria. Sagna destacou que, em Lisboa, o jogador era a peça central, mas no Arsenal ele precisa competir diariamente por espaço, o que pode retardar seu desenvolvimento. O treinamento diário, segundo o ex‑defensor, será o fator decisivo para que o atacante converta sua qualidade em produtividade nos momentos de pressão defensiva dos adversários.
A próxima partida do Arsenal contra o Manchester City, marcada para o próximo fim de semana, será um teste decisivo para o futuro de Gyokeres. Se Arteta optar por inseri‑lo, ainda que por poucos minutos, a situação permitirá avaliar se o atacante consegue criar oportunidades contra uma das defesas mais compactas da liga. Os observadores deverão focar na movimentação sem a bola, na capacidade de segurar a bola em espaços curtos e na química com os meias ofensivos, indicadores que podem sinalizar se o investimento de £75 mi está no caminho certo.
Fonte: Trivela
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