Tuchel encara cicatriz da eliminação e traça nova rota para a Inglaterra
Em documentário, o técnico alemão analisa a virada argentina e promete ajustes antes da Liga das Nações.

Dois meses após a derrota por 2 a 1 para a Argentina em Atlanta, Thomas Tuchel apareceu em um documentário de quatro horas chamado “Reflections” para encarar a cicatriz que marcou sua passagem pela Inglaterra, afirmando: “Essa é minha cicatriz, é a cicatriz dos jogadores. Tenho que viver com isso, ninguém sente mais do que eu”.
A semifinal, disputada em julho de 2026, foi a primeira da Inglaterra desde 1990 e chegou com a seleção, comandada por Harry Kane, liderando a fase de grupos e vencendo a França nas quartas. O time abriu o placar aos dez minutos do segundo tempo, com Antony Gordon, mas viu a vantagem evaporar após mudanças táticas de Tuchel que abriram espaço para a Argentina reagir.
A decisão mais criticada foi a retirada de Gordon, substituído pelo zagueiro Ezri Konza aos 27 minutos, o que transformou a Inglaterra em uma formação mais recuada. A Argentina, percebendo a vulnerabilidade, respondeu com um 3‑1‑6, primeiro com Enzo Fernández aos 40 minutos e, pouco depois, com Lautaro Martínez aos 47, revertendo o placar em menos de dez minutos.
Em conversa com o ex‑atacante Daniel Sturridge, Tuchel reconheceu que ainda só viu trechos da partida, descrevendo a experiência como “agonia de proporções épicas”. Ele admitiu que poderia “torturar‑se para sempre” imaginando substituições diferentes, mas ressaltou que “ninguém vai saber”.
Do ponto de vista tático, a troca de Gordon por Konza revelou a preferência de Tuchel por consolidar a defesa ao invés de buscar o segundo gol, uma escolha que acabou por desestabilizar o bloco ofensivo. A reação argentina, ao adotar um esquema ultra‑ofensivo, expôs a fragilidade do plano defensivo inglês, gerando críticas sobre a falta de opções ofensivas no segundo tempo.
A autocrítica de Tuchel tem repercussões imediatas na sua credibilidade dentro da FA e entre a torcida, que esperava um plano mais agressivo. Sua postura de assumir a responsabilidade pode suavizar a pressão, mas também coloca em xeque sua abordagem conservadora, sobretudo à vista da primeira convocação para a Liga das Nações contra Espanha, República Tcheca e Croácia.
Os próximos compromissos, marcados para setembro, serão o primeiro teste para o novo grupo que Tuchel pretende montar. Observadores deverão analisar se o técnico introduz variações ofensivas, como a reintegração de Gordon ou a inclusão de jogadores mais criativos, para evitar outra “cicatriz” em competições futuras.
Fonte: ge.globo
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