Como funciona o Ranking da FIFA e o cálculo dos pontos
Entenda o método baseado no Elo que define a posição de cada seleção no mundo
O Ranking da FIFA é a lista oficial que ordena as seleções masculinas de futebol do mundo, da mais forte para a mais fraca, com base em uma pontuação. Ele existe desde 1993 e é atualizado ao longo do ano, normalmente depois de cada janela de jogos das seleções. Mais do que uma tabela de prestígio, o ranking tem função prática: a FIFA o usa para definir os potes dos sorteios de grandes competições, como a Copa do Mundo. Estar bem colocado costuma render um caminho mais fácil, porque as seleções mais bem ranqueadas são separadas para não se enfrentarem logo na primeira fase.
O grande divisor de águas foi 2018. Depois da Copa do Mundo daquele ano, a FIFA trocou o antigo modelo, que fazia médias de pontos, por um sistema baseado no método Elo, o mesmo tipo de cálculo usado há décadas no xadrez. A diferença central é que, no modelo atual, cada partida soma ou subtrai pontos diretamente do total anterior da seleção. Não existe mais uma média anual que 'apaga' resultados antigos: o que vale é o acúmulo, jogo a jogo, ao longo do tempo.
A conta parte de uma fórmula simples. A nova pontuação de uma seleção é igual à pontuação que ela já tinha, mais o peso do jogo multiplicado pela diferença entre o resultado real e o resultado esperado. Em termos práticos: pega-se o que a seleção tinha, soma-se (ou subtrai-se) o que aquela partida específica valeu. Vitória conta como resultado 1, empate como 0,5 e derrota como 0. Se o time rende mais do que o esperado, ganha pontos; se rende menos, perde.
O 'peso do jogo' é o que faz um amistoso valer muito menos que uma final de Copa. A FIFA dá a cada tipo de partida um coeficiente de importância. Amistosos fora das datas oficiais têm o peso mais baixo, enquanto jogos das eliminatórias ficam num patamar intermediário. No topo estão as partidas de Copa do Mundo, que são as que mais movimentam o ranking, com as fases finais do Mundial recebendo o maior peso de todos. Por isso uma boa campanha na Copa pode disparar uma seleção várias posições para cima.
O outro ingrediente é o 'resultado esperado', e é aqui que mora a lógica mais interessante do sistema. Antes de a bola rolar, o cálculo estima a probabilidade de cada lado vencer com base na diferença de pontos entre as duas seleções. Quando um time muito mais forte enfrenta um mais fraco, espera-se que ele vença; se vencer, ganha pouquíssimos pontos, porque só cumpriu o previsto. Mas se uma seleção teoricamente inferior bate uma favorita, ela é premiada com um salto grande de pontos, e a favorita leva um baque. É o mecanismo que recompensa 'zebras' e pune tropeços contra adversários mais fracos.
Há ainda uma regra importante para as fases eliminatórias das competições finais, como o mata-mata da Copa do Mundo. Nesses jogos decididos nos pênaltis, a seleção que perde na disputa não é penalizada como em uma derrota comum: o empate no tempo normal é o que entra na conta. Ou seja, o sistema evita castigar duramente um time que chegou longe e caiu apenas na loteria dos pênaltis. Isso ajuda a preservar a pontuação de seleções que fazem campanhas sólidas em torneios importantes.
Como o modelo é acumulativo, ele tende a valorizar consistência de médio e longo prazo, e não um único bom resultado isolado. Uma seleção que vence muito, contra adversários fortes e em jogos de peso, sobe de forma consistente; quem só joga amistosos fáceis ganha pouco, mesmo vencendo. Por isso o ranking nem sempre reflete o 'momento' de uma equipe de forma imediata, o que costuma gerar debate entre torcedores. Ainda assim, ao longo das temporadas, ele acaba sendo um retrato razoável da hierarquia global.
Para o torcedor brasileiro, vale lembrar alguns fatos consolidados que ajudam a colocar o ranking em contexto. O Brasil é o maior campeão da história da Copa do Mundo, com cinco títulos, e é a única seleção a ter disputado todas as edições do torneio. Justamente por esse histórico de bons resultados em competições de alto peso, a Seleção Brasileira é uma presença tradicional entre as primeiras colocadas do Ranking da FIFA. Em resumo: o ranking não mede fama nem tradição de forma direta, mas quem tem tradição de vencer jogos importantes costuma aparecer no topo.
Perguntas frequentes
Desde quando existe o Ranking da FIFA e para que ele serve?
O ranking masculino existe desde 1993 e é atualizado ao longo do ano, geralmente após cada janela de jogos das seleções. Na prática, a FIFA o utiliza para definir os potes dos sorteios de grandes torneios, como a Copa do Mundo, separando as seleções mais bem colocadas.
Como os pontos são calculados no sistema atual?
Desde 2018 o cálculo é baseado no método Elo. A nova pontuação é a pontuação anterior somada ao peso do jogo multiplicado pela diferença entre o resultado real (vitória 1, empate 0,5, derrota 0) e o resultado esperado. Cada partida soma ou subtrai pontos diretamente do total.
Por que vencer um adversário mais forte rende mais pontos?
Porque o sistema estima antes do jogo a probabilidade de cada lado vencer, com base na diferença de pontos. Bater um favorito supera o resultado esperado e gera um salto grande na pontuação, enquanto vencer um adversário muito mais fraco rende pouco, já que era o previsto.
Um amistoso vale o mesmo que um jogo de Copa do Mundo?
Não. Cada tipo de partida tem um peso diferente. Amistosos fora das datas oficiais têm o menor peso, eliminatórias ficam num patamar intermediário e os jogos da Copa do Mundo, sobretudo as fases finais, recebem os maiores pesos, movimentando muito mais o ranking.
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.



