Vasco convoca eleições para 14 de novembro; futuro da SAF em jogo
Com 7 mil associados aptos a votar, a corrida já tem Pedrinho como favorito, enquanto grupos opositores se organizam para desafiar a continuidade da gestão.

O Vasco da Gama agendou a eleição para o novo presidente do triênio 2027-2029 para o sábado, 14 de novembro, e abriu o período de inscrição de chapas até 15 de outubro. O calendário foi fixado após a conclusão do processo de impugnações e recursos apresentados à Assembleia Geral. Com 7.084 associados habilitados, dos quais 6.168 cumprem os requisitos estatutários, o pleito pode redefinir a trajetória administrativa e financeira do clube.
Historicamente, o clube não tem presidente reeleito desde a era Roberto Dinamite, que venceu três mandatos consecutivos entre 2008 e 2014. O atual mandatário, Pedrinho, assumiu a presidência em 2023 e tem enfrentado críticas relacionadas à sua saúde mental e ao afastamento da família, embora ainda não tenha anunciado desistência. Paralelamente, o Vasco recebeu parte de um empréstimo de empresa vinculada a Marcos Lamacchia, potencial investidor da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), e já acertou as contas referentes a esse aporte.
No cenário interno, Pedrinho surge como candidato provável da chapa Sempre Vasco, que busca a reeleição. Grupos como Casaca, Fuzarca e Identidade Vasco já movimentam bastidores para montar alternativas ou coligações que possam desafiar a continuidade da gestão atual. A proximidade de Pedrinho com Marcos Lamacchia, visto como possível futuro acionista, tem alimentado especulações sobre a direção estratégica da SAF.
A última disputa eleitoral, reduzida a duas chapas – Sempre Vasco de Pedrinho e a de Leven Siano – deixou um racha profundo entre aliados próximos ao presidente e ex-vice-presidentes. Esse descontentamento pode gerar candidaturas dissidentes ou alianças inesperadas, sobretudo se os opositores consolidarem um bloco de apoio entre os associados mais críticos. O histórico de confrontos internos indica que a votação não será apenas um referendo ao atual mandato, mas também um teste de legitimidade das propostas de reestruturação financeira.
Do ponto de vista financeiro, a eleição determinará se o clube continuará a depender de recursos externos, como o empréstimo de Lamacchia, ou buscará alternativas de capitalização via mercado de ações. Uma vitória da Sempre Vasco poderia acelerar a transformação em SAF, facilitando a captação de investidores e a renegociação de dívidas. Por outro lado, uma mudança de comando poderia reavaliar esses acordos, potencialmente impactando contratos de patrocínio e a política de contratações para a temporada 2027.
Politicamente, o número de eleitores elegíveis – 6.168 – confere peso significativo a grupos de torcida organizados, que já demonstram mobilização nas redes sociais. A forma de votação ainda não foi divulgada, mas a definição do método (presencial, online ou híbrido) poderá influenciar a participação de associados menos engajados. A disputa entre facções internas, somada à pressão de investidores externos, cria um ambiente de alta volatilidade que pode reverberar nas decisões de campo, como contratações e renovação de contratos técnicos.
Com a data de votação se aproximando, o Vasco deve anunciar o formato da eleição nas próximas semanas e confirmar oficialmente as chapas inscritas. Observadores do futebol nacional acompanharão de perto a consolidação de possíveis alianças entre Casaca, Fuzarca e Identidade Vasco, bem como a resposta da Sempre Vasco à pressão de investidores. O resultado em 14 de novembro será crucial para entender se o clube avançará na agenda de profissionalização ou abrirá espaço para uma nova visão de gestão.
Fonte: ge.globo
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